Somos macacos

Por fabiosaraiva

junior-brasil-colunistaUm abraço! Quando nos lembramos do interior, a sensação que temos, é de algo bom e que normalmente temos saudade. A roça é um trem bão demais! No interior encontramos a pureza das pessoas e os valores que estão em extinção. Neste fim de semana estive com alguns amigos, na minha querida Lima Duarte, na zona da mata, e onde fica o famoso Parque de Ibitipoca. Ver amigos e sentir a vida andando mais devagar não tem preço. No interior, o verde e os ensinamentos são mais vivos e não passam despercebidos. Uma prosa com café, biscoito e queijo torna-se algo inesquecível!

O que tudo isso tem a ver com o futebol? Calma, você já vai saber. Estive em uma localidade chamada “Lopes” e, lá, encontrei um verdadeiro homem do campo, o Julinho. O assunto futebol veio à tona e também um episódio marcante, acontecido semana passada. Depois de ouvir o fato, ele contou como lida com um cavalo jovem e fogoso! Quando um potro tenta fugir do curral ou de um pasto, ele passar a entender o limite da cerca através do aprendizado e do contato. São situações perigosas, pois o bicho “peita”, literalmente, o arame e com muita força. Nestes casos, o cavalo pode se embolar no meio do arame e até morrer. Uma alternativa para se evitar esse choque é tornar o arame mais visível. Julinho vai mais além, diz que não se pode ensinar e nem combater a ignorância do animal com brutalidade ou intolerância. A doma racional ensina isso. Não é preciso espancar para ensinar.

E o que isso tem a ver com o futebol? Tudo! Infelizmente, o futebol tem sido instrumento da intolerância e do racismo. Desta vez, o goleiro Aranha foi o alvo. Não temos uma educação que nos oriente de forma devida e priorize a formação de cidadãos. Racismo é inconcebível! As cenas protagonizadas pela torcida do Grêmio e pela tal moça embrulham o estômago. Ela deve ser banida dos campos de futebol, contudo, a punição não pode ser maior do que o ato abominável que praticou. Quando jogam pedras na casa dela, estão demonizando a menina! Alguns não podem se transformar em juízes e em carrascos. É necessário o rigor da lei no caso e, ainda bem, que estamos discutindo e, com isso, gerando reflexões.

Precisamos de educação. Precisamos de ética. Precisamos orientar nossos filhos e dar o bom exemplo. Precisamos do fim da impunidade. Precisamos de equilíbrio em nossas condutas. Precisamos do combate ao racismo. Precisamos do fim do racismo. Precisamos de dignidade no futebol. Precisamos de você, afinal, somos todos macacos!

Junior Brasil é comentarista esportivo da rádio Itatiaia e da TV Band Minas, professor universitário, mestre em administração e cobriu a Copa do Mundo da África. Escreve no Metro Jornal de Belo Horizonte

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