Mais automóveis? Até quando?

Por fabiosaraiva

colunista cleber ricci-andersonPara quem critica a implementação de ciclovias em São Paulo, é só entrar no site do Denatran e ver os números da frota automobilística. Até junho deste ano, só os automóveis da cidade de São Paulo eram 5.059.936 para um total de 7.156.906 veículos entre ônibus, caminhões, motocicletas, caminhonetes e tudo que tem placa, motor e polui o ar. O número de carros cresce em média 2,9% ao ano (aumento de 11,57% nos últimos cinco). A malha viária, hoje com 17 mil quilômetros, ocupa 25% do território da cidade e não tem mais como crescer. É uma incoerência pensar que retirar espaço de carros estacionados para circularmos vai atrapalhar o trânsito em médio prazo. A última tomada de espaço para que mais carros circulassem foi a “conquista” dos últimos canteiros das marginais Pinheiros e Tietê. Não dá mais!

O problema é sempre o imediatismo. Matérias inconsequentes feitas na televisão mostram as novas ciclovias ainda com pouco movimento. A sociedade e a mídia esquecem que a maioria da população ainda é leiga e pensa que uma ciclovia precisa de outra, e de mais outra, para que a viagem seja possível. A cabeça automobilística terá uma grande rejeição inicial para pedalar, pois não sabe se virar quando uma ciclovia acaba, não conhece a Ciclo-Rede Paulistana (já divulgada aqui), tem medo de atravessar as pontes etc. Quem já pedala, entende e comemora as ciclovias.

Já mostrei aqui no Metro Jornal que um dos maiores obstáculos para alguém usar uma bicicleta para ir ao trabalho é justamente espaço adequado e estrutura para você guardar sua bike. Isso é muito mais barato do que estacionar um carro todo dia, encher seu tanque e arcar com tudo o que representa usar um carro. Já mostrei um caso em que uma pessoa que trabalha na Berrini e gasta R$ 450 todo mês para estacionar. A empresa o ajuda com R$ 150 e com isso gasta R$ 30 mil por mês para todos os funcionários. Será que ela não tem condições de construir um vestiário e um bicicletário decentes? Como está a saúde desses funcionários?

O plano de Haddad é fazer 400 quilômetros de ciclovias até o final de 2015. Ainda precisaremos pedalar sempre em parte dos outros 16,6 mil quilômetros. No fundo, o que todos nós, ciclistas ou motoristas precisamos, é de educação e entendimento. As ciclovias podem ainda não ser perfeitas. Provocarão polêmica. Amanhã estarei na Regional de Santo Amaro para discutir com associações de bairros, comerciantes, ciclo-ativistas e autoridades, o melhor para São Paulo. Faça a sua parte. Antes de criticar, participe!

Cleber Ricci Anderson, 47 anos, é especialista em bike fit (ajuste postural), ex-ciclista da Seleção Brasileira de Ciclismo, pioneiro em MTB no Brasil, autor do Guia Bike na Rua e do projeto Ciclo-Rede e proprietário da Anderson Bicicletas.

 

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