Jogadores preservados. Direção desgastada. É o Inter!

Por fabiosaraiva

leonardo-meneghetti-colunistaO Inter ameaça preservar alguns titulares em sua estreia na Sul-Americana, esta noite.  Já havia feito isso na Copa do Brasil e levou duas bordoadas de um time da Segunda Divisão. O argumento é que o Brasileiro é mais importante, o que até a telefonista do clube sabe. Eu só não tenho certeza se esta mesma telefonista respalda a decisão de foco no Gauchão 2015. Só pode ser este o motivo de tal barbeiragem!

O desinteresse pela Copa do Brasil e agora pela Sul-Americana vai de encontro aos resultados do futebol na gestão de Giovanni Luigi. Ao assumir um clube campeão continental, em 2011, ganhou a Recopa e desde então só teve triunfos regionais. Não disputou nenhum título nacional e esteve em apenas duas Libertadores da América. Foi eliminado na segunda fase em ambas. Resultados inexpressivos para um clube que ganhou tantos títulos entre 2006 e 2010. E então justamente no período de Luigi como presidente os resultados mínguam!

Com este retrospecto o Inter não tinha o direito de abdicar da Copa do Brasil. Em dois jogos, fez o papelão de levar 5 a 2 do Ceará. Agora, cogita encarar a Sul-Americana com semelhante desmobilização. Luigi e seus colegas de direção parecem não ter enxergado que alguma destas competições seria a grande oportunidade de fechar o mandato com um título significativo. Coloca uma responsabilidade imensa na performance da equipe no Brasileirão. E, observe, prezado leitor, o Inter está em terceiro lugar, oito pontos atrás do líder.

Será que este assunto é discutido de forma adequada dentro do departamento de futebol colorado? Os dirigentes envolvem-se nestes assuntos de poupar titulares em competições paralelas ao Brasileiro? E o presidente Luigi, está de acordo com a eliminação prematura na Copa do Brasil e a perda de importância que a Sul-Americana tem para o clube?

Mantenho estas questões porque o Inter dá sinais de ser um clube comandado pelo vestiário. Ou seja, Abel Braga e as principais lideranças do time decidem os caminhos. Ou pelo menos conseguem contagiar a direção com suas ideias. Não há justificativa para que o clube preserve jogadores, poupando-os de uma competição oficial e importante. Se o Inter estivesse na iminência de conquistar o título brasileiro, se faltassem duas ou três rodadas e a liderança estivesse sendo disputada ponto a ponto, seria perfeitamente compreensível. Mas agora, com mais da metade do campeonato a disputar, um total de 21 rodadas, não se justifica esta decisão.

O Grêmio do presidente Fábio Koff, também de resultados melancólicos em sua gestão, sabe que a Copa do Brasil é a grande oportunidade de título em 2014. Portanto, coloca o pé no fundo. É a chance de salvar o mandato.

O Inter deve ter alguma projeção de que efetivamente será o campeão brasileiro. A supremacia sobre o rival nestes últimos dez anos não é suficiente para que o clube se acomode com êxitos apenas regionais. Copa do Brasil ou Sul-Americana poderiam representar o retorno à grandeza perdida nestes últimos quatro anos. Acho que até a telefonista percebe isso!

Jornalista esportivo desde 1986, Leonardo Meneghetti foi repórter de rádio, TV e jornal e está no Grupo Bandeirantes desde 1994. Foi coordenador de esportes, diretor de jornalismo, e, desde 2005, é o diretor-geral da Band/RS. Diariamente, às 13h, comanda “Os Donos da Bola”, na Band TV. Escreve no Metro Jornal de Porto Alegre

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