Sempre será grátis

Por fabiosaraiva
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O taxista estende o exemplar do Metro. “O sr. conhece? Jornal bom, informação rápida. E bonito. Pego todo dia. Mas esses caras são espertos. Por enquanto, é de graça. Estão adoçando a minha boca, mas daqui a algum tempo, vão começar a cobrar. Leia. O sr. vai gostar.” A cena é aconteceu no final da manhã de ontem, e já se repetiu várias vezes desde o lançamento do Metro, há quase 100 edições atrás. O leitor tem dificuldade em compreender a aliança entre qualidade e gratuidade. Segundo a lógica comum, se é bom não pode ser grátis, se é grátis não pode ser bom. Mas o Metro quebra essa regra. Como quebra tantas outras regras do jornalismo tradicional e, por isso, transformou-se num caso mundial (e, agora, local) de sucesso.  É curioso notar como o questionamento, natural, sobre a ausência de cobrança não ocorre em relação à relação preço-produto no caso dos jornais tradicionais. O valor cobrado por uma edição  “normal” de qualquer jornal está muito longe de cobrir os custos da publicação. Aliás, basta pensar um pouquinho para notar como o preço não paga nem mesmo o papel e a tinta gastos para imprimir 70, 80 páginas. E além do papel e tinta, a empresa tem de pagar centenas de profissionais, bancar a distribuição em todo o Estado, fazer a entrega porta a porta para milhares de assinantes, além de recolher valores referentes a impostos, direitos trabalhistas etc. Enfim, é fácil constatar como o preço estampado na capa dos jornais é subsidiado. As edições e as estruturas empresariais são bancadas, em sua maior parte, pela publicidade e pelos Classificados. O que o Metro fez e faz? Radicalizou na revisão das (caras) estruturas necessárias para manter jornais tradicionais e conseguiu  levar o subsídio às últimas consequências: o jornal ficou gratuito. Existem motivos editoriais para isso, obviamente: as gerações habituadas com a internet não está acostumada a pagar para ter informação. Mas vamos deixar esse ponto para outra ocasião e retomar a questão financeira. O Metro reduziu os gastos com a distribuição, restringindo sua circulação à Grande Vitória (onde reside “só” a metade da população do Estado); eliminou os custos com a assinatura (call center, entrega, cobrança etc.); cortou o excesso de páginas (uma pergunta: você consegue ler diariamente uma edição de 60 páginas de um jornal, de qualquer jornal? Pois é…) e reduziu ao mínimo necessário o número de jornalistas na Redação, graças a uma produção compartilhada entre equipes espalhadas pelo país. O elenco de propagandas, locais e nacionais, da edição de hoje nos ajuda a mostrar como a publicidade fecha essa conta. E por conta de tudo isso, a resposta dada ao taxista foi: “Conheço o Metro. Ele é gratuito. E sempre será…”

Antonio Carlos Leite é jornalista há 26 anos. É diretor de Redação do Metro, diretor de Jornalismo da Sá Comunicação e escreve às sextas-feiras neste espaço.

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