Discutindo a relação

Por fabiosaraiva

lizemara-pratesNuma sessão de terapia, analista e paciente ficam frente a frente discutindo os mais diferentes acontecimentos. O paciente relata vivências e o profissional apresenta sua análise. Tem ainda a terapia de família e a de casal em que a relação é discutida na presença de um intermediário. Mas é possível fazer uma DR em outras situações.

Entendo que neste momento estamos fazendo isso na relação produtor versus consumidor. Não lembro de ter ouvido tantos questionamentos na história recente dando conta da qualidade dos alimentos. O problema ficou recorrente. A discussão envolve também as indústrias e os sistemas de produção. Muito se tem falado na produção sustentável.

A segunda edição do Farm Perspective Study concluiu que a maioria dos consumidores e agricultores brasileiros associa sustentabilidade na agricultura a aspectos relacionados ao meio-ambiente e biodiversidade. Foi constatado que os consumidores brasileiros aumentaram em 3,5% o nível de preocupação com a sustentabilidade na agricultura em relação à pesquisa realizada em 2011, atingindo a marca de 82%. Assim como na primeira edição da pesquisa, o estudo de 2014 constatou que 75% dos consumidores estão dispostos a pagar mais por alimentos produzidos de forma ambientalmente amigável.

O estudo mostra também que houve aumento do nível de confiança do agricultor como provedor de alimentos, alguém que desempenha uma função necessária e essencial na sociedade. E a disposição em concentrar ainda mais esforços para atender às expectativas dos consumidores.

Este é um entendimento importante. Mostra que quem produz e quem consome está indo no mesmo caminho, buscando aprimorar cada vez mais a qualidade dos alimentos e a preservação do meio ambiente.

Assim, a DR termina com o consenso de que a estrada é única e permite paradas para aperfeiçoamento. É aí que entram as certificações de processos e produtos, formas diferenciadas de fazer. São as características do produto final que o fazem diferenciado, para atender a nichos de mercado.

Acredito que a indústria, parte intermediária entre produtor e consumidor, tem igualmente consciência de que a velocidade da vida moderna, que exige cada vez mais alimentos para preparo rápido, não deve se sobrepor à qualidade dos produtos.

Estamos todos no divã, fazendo análise coletiva. Aposto que essa troca de informações será muito positiva.

Lizemara Prates é jornalista do Grupo Bandeirantes de Comunicação. Apresenta o AgroBand, na TV Band, e tem comentários diários sobre agronegócio na Rádio Bandeirantes e na BandNews FM. Escreve no Metro Jornal de Porto Alegre

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