No Gre-Nal do medo e o empate conforta ambos

Por fabiosaraiva

leonardo-meneghettiÉ um Gre-Nal imprevisível este. Vejo os dois times com excessivo medo de derrota. O Inter porque tem o primeiro clássico no novo Beira-Rio e porque tem um retrospecto recente bem favorável. O Grêmio, também instável em 2014, terá novo técnico. E, de fato, joga fora de casa, portanto, poderia conformar-se em somar apenas um ponto. O empate seria confortável para os dois lados. Isso pode diminuir a qualidade e o ímpeto do clássico.

Há uma leve vantagem vermelha, se Aranguiz for confirmado e se realmente estiver recuperado. A questão emblemática é que o Grêmio é uma incógnita. Como Felipão armará este time? Como ele próprio estará no comando da casamata depois do fracasso na Copa? São fatores de difícil prognóstico e que podem interferir no rendimento das duas equipes. O empate é um resultado bem provável. Mas, como não gosto de ficar no muro, escrevo que há uma pequena superioridade vermelha neste momento. E que o fato novo no tricolor, a chegada de Felipão, pode destruir.

O Gre-Nal passa por Aranguiz. O chileno tem uma capacidade de assistência impressionante. Sem ele, o Inter é um time previsível e, na maioria das vezes, burocrático. Por isso sustento que com Aranguiz em campo e bem condicionado fisicamente as chances do Inter aumentam consideravelmente. O time de Abel tem problemas defensivos e mantém uma preocupante irregularidade na temporada. O Inter dos grenais do Gauchão empolgou. Ou aquele que fez 6 a 1 no Remo, ou 4 a 0 no Flamengo. Mas, também neste ano, há o Inter desorganizado e batido pelo Cruzeiro por 3 a 1, surpreendido pelo Cuiabá num medíocre empate de 1 a 1 ou derrotado pelo Ceará em casa. Abel ainda não conseguiu dar um confiável padrão tático ao time.

As esperanças gremistas estão amparadas na mudança da comissão técnica. Felipão mudou o ambiente, mas até que ponto isto é levado para dentro de campo não sabemos com certeza. Que se trata de um baita treinador não tenho dúvidas. O Felipão é o principal responsável pelo penta mundial. E também pelo fracasso na Copa de 2014. Estas duas situações são verdadeiras. O resto é conversa fiada. Dizer que o penta é dele e os 7 a 1 não é bajular demais seu passado. Assegurar que o penta é obra de Ronaldo e Rivaldo e que ele assina o vexame desta Copa em casa seria uma injustiça.

Então, como protagonista, Felipão é o herói de 2002 e o vilão de 2014. Tem uma carreira repleta de títulos. E o histórico fiasco contra a Alemanha significa inevitavelmente uma mancha em seu currículo. E não uma borracha na sua trajetória vencedora. Este é o técnico que tem a missão de resgatar o futebol gremista. Começará a reescrever esta história a partir do próximo domingo no Beira-Rio. A nova página começa a partir do Gre-Nal deste domingo e irá nos mostrar se a Copa foi um acidente de percurso ou se efetivamente ele já não é o mesmo. O clássico é a primeira página deste livro. E uma primeira página diz muito sobre uma obra, mas não a define como boa ou ruim. É a primeira página e não contará o final da história.

Jornalista esportivo desde 1986, Leonardo Meneghetti foi repórter de rádio, TV e jornal e está no Grupo Bandeirantes desde 1994. Foi coordenador de esportes, diretor de jornalismo, e, desde 2005, é o diretor-geral da Band/RS. Diariamente, às 13h, comanda “Os Donos da Bola”, na Band TV. Escreve no Metro Jornal de Porto Alegre

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