Crise de confiança

Por fabiosaraiva

lizemara-pratesEstamos vivendo um momento de insegurança em relação à qualidade dos alimentos. Só aqui no Rio Grande do Sul, estão em xeque os lácteos, o vinho, a farinha de trigo e a erva-mate. Até há pouco tempo, o consumidor escolhia o que ia comprar pela marca de preferência ou pelo preço. Hoje, ele precisa pesquisar o histórico do produto, conferir lotes envolvidos em adulterações.

As mais graves dão conta da adição de formol e soda cáustica no leite. No vinho, da utilização de antibióticos. Na farinha, de brometo de potássio. Na erva-mate, de metais pesados. É necessário dizer que nem todas as investigações envolvem fraudes. Na erva-mate, por exemplo, não foi descoberta a origem da contaminação que pode vir do solo ou da atmosfera.

Na farinha não foi constatado o brometo, mas nas misturas para bolo. No vinho, a fraude visa manter o produto conservado por mais tempo. No leite, revalidar produto vencido ou mascarar a adição de água para aumentar o volume. Dois pontos devem ser analisados: a ganância de algumas pessoas e a seriedade de outras. Não dá para colocar todos os fabricantes em um mesmo saco. Há marcas sérias no mercado. Há produtores sérios.

Há quem diga que os produtos orgânicos são a saída. Precisaria de muitos anos para fazer a conversão da produção convencional e transgênica para a orgânica. Como a população seria alimentada neste tempo? E feita a mudança, seria possível atender a totalidade da demanda?

Falando no Fronteiras do Pensamento de segunda-
feira, o físico britânico Geoffrey West, disse que 75% da população mundial estará nas cidades em 2050. E que a China terá pelo menos 200 novas cidades nos próximos 36 anos. Essa informação dá uma mostra de quanto precisaremos produzir alimentos e o desafio de fazê-
lo com menos gente no campo.

Não há dúvida que estamos diante de um dilema. Mas entendo que é um dilema bom. Ele apareceu porque a fiscalização dos alimentos está mais intensa. E assim deve ser, afinal estamos tratando de saúde pública. Mas não sejamos ingênuos. O problema existe em todo o mundo.

Há poucos dias, os chineses se depararam com denúncias de utilização de carne podre na fabricação de hamburguer. Também não podemos imaginar a volta do leite entregue na porta pelo leiteiro, sem passar pelas exigências sanitárias. Não podemos incentivar o abate clandestino comprando carne sem inspeção.

Temos liberdade para escolher o tipo de alimento que queremos consumir. E então redobrar a atenção.

Lizemara Prates é jornalista do Grupo Bandeirantes de Comunicação. Apresenta o AgroBand, na TV Band, e tem comentários diários sobre agronegócio na Rádio Bandeirantes e na BandNews FM. Escreve no Metro Jornal de Porto Alegre

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