Nasce uma gigante

Por fabiosaraiva

lizemara-pratesNúmeros sempre impressionam. Se forem negativos ou positivos. Independente do setor. Na economia, mexem com nossas vidas. Às vezes, nem percebemos, achamos até que não tem nada a ver conosco. Pode ser essa a avaliação sobre a criação da Associação Brasileira de Proteína Animal, envolvendo uma parceria entre os segmentos de produção e exportação das carnes suína e de frango, as duas mais consumidas no mundo.

Nós, gaúchos, vivemos em um Estado que produz as duas carnes, portanto, temos fatia na geração de empregos e renda desta entidade gigantesca que reúne 132 empresas, incluindo as maiores do mundo: BRF, JBS e Tyson. O valor exportado chega a US$ 10 bilhões e o PIB do segmento soma R$ 80 bilhões. As duas cadeias respondem por 4 milhões de empregos diretos e indiretos. A união era discutida havia dois anos. Não é fácil integrar aves e suínos que atendem a compradores tão distintos. Um terço das exportações de frango do Brasil segue para o mundo islâmico que não consome suínos. Como vencer o preconceito contra esta carne no mundo árabe? Como explicar aos compradores que a entidade não mistura a criação e o abate das diferentes espécies?

O Brasil é considerado um especialista no abate Halal, exigido pelos árabes. O que é isso? É tudo que é legal para os muçulmanos. Carne de porco e seus derivados; sangue e produtos feitos com sangue e álcool e produtos que causem embriaguez não são legais. A técnica de abate Halal exige que seja pronunciado o nome de Alá durante o procedimento, que o animal esteja com a face voltada para Meca e seja feito um corte no pescoço em um movimento de meia- lua, atingindo em uma única vez jugular, traqueia e esôfago. Detalhes que fazem a diferença na hora de fechar contratos com os importadores. Eles fiscalizam o cumprimento das regras. Além disso, precisamos reafirmar constantemente nossa condição sanitária. No caso do frango, comprovar que não há adição de hormônios na criação e a inexistência de influenza aviária.

Por conta dessa condição, Malásia, Rússia, Ucrânia e América Central querem levar genética brasileira para seus países. No caso dos suínos, Santa Catarina é destaque por ser o único Estado brasileiro que não aplica vacina contra febre aftosa. Isso o credenciou para vender para Estados Unidos, Japão e Chile, mercados super exigentes. Hoje, comercializamos frango para 150 países e suínos para 69 mercados. Além dos números grandiosos da nova entidade, temos a comemorar o fato de a presidência e vice serem ocupadas por gaúchos que aprenderam a cruzar o mundo vendendo nossas carnes. Este cenário contribui para qualificar ainda mais
nossa produção e pode refletir no preço da nossa refeição.

Lizemara Prates é jornalista do Grupo Bandeirantes de Comunicação. Apresenta o AgroBand, na TV Band, e tem comentários diários sobre agronegócio na Rádio Bandeirantes e na BandNews FM. Escreve no Metro Jornal de Porto Alegre

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