Deixem meus monzas em paz

Por fabiosaraiva

diego-casagrandeEu e Dilma Rousseff somos gestores sem igual. Ótimos administradores dos negócios públicos. Ela é uma gerente competente e implacável com a corrupção. Me espelho nela. Ser como a presidente é meu norte.

Sou presidente do Conselho de Administração de uma estatal. Ano passado precisei renovar a frota de veículos da empresa. Contrariando sugestões de comprar carros novos, optei por outros já testados. Gosto muito do Monza. Lembra deles? Eram verdadeiras naves. Confortáveis e com design moderno. Até hoje lembro do cheiro dos bancos aveludados e do silencioso ronco do motor. E a estabilidade? Ainda não surgiu nada igual. Minha mãe teve um. Era o Cadillac da época de tão classudo. Então decidi comprar uns vinte. Não dei a mínima para as críticas. O melhor Monza foi o GLS 2.0 de 1995. Injeção eletrônica e tudo. O valor de mercado era R$ 10 mil cada, mas acabamos pagando R$ 250 mil. Todos obsoletos, gastavam muito combustível e poluíam mais. Mas por outro lado eram carros de colecionador, verdadeiras relíquias. Um dos diretores me convenceu que era bom negócio pagar R$ 250 mil cada. Pelo valor de mercado, sairia tudo por R$ 200 mil, mas no fim das contas investimos R$ 5 milhões em 20 automóveis Monza ano 1995. A diretoria toda concordou. Não estou sozinho nessa. E afinal de contas, dane-se o mercado.

Em 2006, a então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, que também era presidente do Conselho de Administração da Petrobras, aprovou um negócio ótimo para os brasileiros pagadores de impostos e os acionistas de nossa maior empresa. Comprou 50% de uma refinaria americana por US$ 360 milhões. Um ano antes, o valor de mercado dela inteirinha era apenas US$ 42 milhões. No contrato havia duas cláusulas honestíssimas: Marlim e Put Option. A primeira, incrivelmente garantia que a Petrobras pagasse à sócia 6,9% de lucros anualmente, mesmo que não houvesse qualquer lucro. A segunda previa que, em caso de desavença entre a Petrobras e a sócia, a estatal brasileira deveria comprar os outros 50% por um valor bem acima. No fim das contas, a decisão de nossa grande gestora fez a Petrobras investir US$ 1,18 bilhão na refinaria. Um belo negócio. Transações como esta e a manutenção artificial dos preços dos combustíveis fizeram o valor da Petrobras, que em 2008 era US$ 300 bilhões, cair para cerca de US$ 76 bilhões.

Dilma é uma baita gestora! E antes que eu me esqueça: deixem meus Monzas em paz.

Diego Casagrande é jornalista profissional diplomado desde 1993. Apresenta os programas BandNews Porto Alegre 1a Edição, às 9h, e Ciranda da Cidade, na Band AM 640, às 14h. Escreve no Metro Jornal de Porto Alegre

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