A crise com PMDB e a sucessão mineira

Por fabiosaraiva

Captura de Tela 2014-03-12 às 21.55.48Se a presidente Dilma tivesse pensado um pouco mais talvez não amargasse essas duas derrotas que colheu na Câmara dos Deputados para uma base aliada insatisfeita, liderada pelo PMDB. Isso não quer dizer que a presidente devesse atender a todas às reivindicações da base, a cada eleição mais voraz por cargos e benesses. Mas também não precisava pagar para ver, como fez ao não atender a nenhuma das reivindicações feitas, sobretudo as do PMDB. Resultado, dois dias seguidos de derrotas no plenário, uma delas altamente desgastante, a que cria uma comissão para investigar denúncias de propina paga a funcionários da Petrobras. A comissão não tem a força de uma CPI, mas mesmo assim não faz bem ao governo num ano eleitoral.

O problema é que essa confusão em Brasília acaba refletindo nos entendimentos que se travam nos estados para as eleições regionais. Em Minas, por exemplo, onde o PT e o PMDB ainda não chegaram a um entendimento, é evidente que ganha corpo a tese de que o partido deve lançar candidato próprio ao Palácio da Liberdade. É uma corrente minoritária a que defende candidato próprio. Mas para se ter ideia de como o confronto em Brasília chega até os estados, nesta semana, no vácuo desses desentendimentos , o deputado Marcus Pestana, presidente do diretório regional do PSDB, ofereceu ao PMDB vaga na chapa majoritária tucana, desde que o partido abandonasse o PT e apoiasse Pimenta da Veiga para o Palácio da Liberdade e o senador Aécio Neves para a presidência da República.

O gesto de Pestana pode não mudar nada, mas não deixa de ser revelador quando feito no momento em que o principal adversário de Aécio, Dilma, começa a ter dificuldade com o PMDB. Mas se não muda nada, pelo menos mexe com o sentimento adesista de alguns pemedebistas e pisa nos calos do PT, irritando o adversário. Pestana tomou a iniciativa muito menos pelas questões locais do que pela sucessão presidencial, o que se torna mais evidente quando se sabe que uma parte do PMDB do Rio de Janeiro, cujo peso ainda não se sabe, já tomou a decisão de apoiar Aécio no estado com o qual ele mais se identifica, o Rio. Em suma, Dilma não deve continuar subestimando a insatisfação da base aliada nem deve continuar achando a crise existe apenas porque o seu principal articulador é o deputado Eduardo Cunha, não por acaso do PMDB do Rio de Janeiro.

Carlos Lindenberg é jornalista, colunista do Metro Jornal e comentarista da TV Band Minas. Escreve no Metro Belo Horizonte.

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