A democracia na bola de cristal

Por fabiosaraiva

diego-casagrandeO grande Winston Churchill costumava dizer que “a democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos”. Assino embaixo. Infelizmente, sabemos que muitos dentro do governo de nosso país usam-na para a difusão de ideias e práticas totalitárias que, se implantadas, nos deixarão ainda mais reféns e menos livres.

Este processo se dá aos poucos, comendo pelas beiradas, como um envenenamento. E o paciente já dá sinais da doença. A corrupção, a impunidade, o enriquecimento através da política, o clientelismo e a mentira estão debilitando nossa democracia.

Em Atenas, há mais de dois mil anos, os gregos foram o princípio da experiência democrática que viria a se tornar um dos maiores valores do mundo ocidental contemporâneo. Adotaram regras eleitorais, decidiram por um sistema de escolha direta dos representantes, criaram formas de consulta popular em questões importantes e demarcaram que há poderes e decisões que são legítimos e ilegítimos.

Mas a própria democracia ateniense em seu nascedouro trazia as suas imperfeições. Embora boa parte dos homens públicos fossem eleitos, a maioria dos cidadãos permanecia ausente do processo, proibida de participar por questões de classe social e gênero. Do que se conclui que o esplendor democrático ateniense tinha problemas e precisava ser aprimorado, como tudo que é criado e mantido pelo homem. É o caso brasileiro.

Atualmente em nosso país, há um consenso de que por mais tortuoso que seja o caminho da evolução política e social, não há como abrirmos mão da democracia obtida com muita dificuldade. Ela tem que ser como o ar que respiramos: absolutamente imprescindível. E eu concordo integralmente.

Ocorre que, diante das cenas de mortandade de cidadãos inocentes na Ucrânia e na Venezuela, e do apoio nada velado do governo brasileiro ao regime chavista, muitos se perguntam até que ponto nossa jovem democracia conseguirá resistir ao impetuoso desejo de mais poder de nossos governantes.

Conseguiremos freá-los em seus desejos de perpetuidade no comando, de controle ideológico e partidário das instituições e de definir o que podemos pensar e falar? Aos que esperam uma resposta convicta e absoluta, lamento. Hoje eu não saberia responder. Se alguém tiver bola de cristal, me avise.

Diego Casagrande é jornalista profissional diplomado desde 1993. Apresenta os programas BandNews Porto Alegre 1a Edição, às 9h, e Ciranda da Cidade, na Band AM 640, às 14h. Escreve no Metro Jornal de Porto Alegre

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