O voto nulo é um suicídio

Por fabiosaraiva

diego-casagrandeSempre que alguém bate no peito para dizer com orgulho que anulará o voto na próxima eleição só posso lamentar. Ao ausentar-se da trincheira do voto, está deixando a outros que escolham por ele.

Ingenuamente, quem age desta forma, mais do que prejudicando o todo, está prejudicando a si mesmo. Ele acha que os políticos verão aquela avalanche de votos nulos, talvez 20%, 30% do total e pensarão: “O povo está chateado, vamos ser mais sérios”. Ou “o povo cansou, vamos melhorar”. Ilusão.

Isso não vai acontecer por uma única razão: nada, absolutamente nada muda com o voto nulo. É como se as pedras no tabuleiro não se movessem. É como se alguém visse algo pegando fogo e não tentasse apagar. Visse um acidente na rodovia e não tentasse ajudar os feridos. Estivesse à beira de um penhasco e preferisse cair.

O voto nulo é como um suicídio. É como se a cidadania estivesse abrindo mão dela própria e deixando sua vida, seu futuro, ao “Deus dará”.

Pelas regras da nossa democracia, gostemos ou não, o voto nulo não altera o resultado de uma eleição. No jogo eleitoral brasileiro, se o voto nulo tiver 20% ou 99% da preferência dos eleitores, tanto faz, não será contabilizado. O que conta são os votos válidos e só. Nem mesmo a abstenção da maioria anula uma eleição.

Infelizmente, há muito tempo existem campanhas sistemáticas na internet induzindo milhões de pessoas indignadas com a representação política a uma compreensão equivocada do voto nulo. São correntes que espalham mentiras, informando que se mais de 50% dos eleitores anularem seus votos, haverá nova eleição. Não haverá.

Sem falar no principal: quem anula o voto está dizendo, ao contrário do que deseja, amém para os governantes de plantão. Anular o voto torna o eleitor imóvel, desprezível, diminui seu valor. E esta imobilidade é o que mantém o continuísmo. E o continuísmo, não raro, leva ao descalabro.

Brecht falava no “analfabeto político”, aquele que ao se ausentar da política, permite o nascimento das mazelas sociais. Ao anular o voto, o cidadão está promovendo sua auto-anulação. Está dizendo que não faz parte do sistema, embora isso não altere em nada o sistema. E depois quer reclamar?

Na eleição de 2014 mais uma vez escolherei o “menos pior”. Mais uma vez fecharei o nariz para votar. Mas anular voto, jamais.

Diego Casagrande é jornalista profissional diplomado desde 1993. Apresenta os programas BandNews Porto Alegre 1a Edição, às 9h, e Ciranda da Cidade, na Band AM 640, às 14h. Escreve no Metro Jornal de Porto Alegre


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