O segredo do sagu

Por fabiosaraiva

lizemara-pratesAmor e ódio. O contraponto pode ser aplicado à tradicional sobremesa servida no Rio Grande do Sul: o sagu. Não tem meio termo, as pessoas gostam ou não gostam. Mas, a grande maioria não sabe do que é feito. Fiz uma pesquisa informal e descobri que as pessoas pensam que existe uma planta chamada “saguzeiro” e que pode haver quebra na safra do produto. Sim, pode haver se reduzir a colheita de mandioca. O sagu é feito de fécula, também conhecida como polvilho, extraída da raiz da mandioca branca. Tem aparência de um pó, sem cheiro e sem sabor. A partir de 60ºC, o amido se transforma em uma substância gelatinosa, denominada goma. O processo de fabricação da fécula se inicia da mesma forma que o da farinha de mandioca.

No Rio Grande do Sul, a mandioca é uma cultura com pouca expressão e vem sofrendo redução de área. Passamos de 98 mil hectares em 1998 para 80 mil, em 2013. O principal motivo é a falta de mão de obra no meio rural para fazer a colheita manual. Hoje, o país é o segundo maior produtor mundial de mandioca, atrás apenas da Nigéria. A primeira referência de variedade de mandioca cultivada no Brasil está em relatos do cronista Magalhães Gandavo, no ano de 1573. O Instituto Agronômico de Campinas (SP) tem o programa de melhoramento genético de mandioca em atividade mais antigo do mundo, datado de 1935.

A mandioca é considerada uma cultura de subsistência e foi largamente utilizada na alimentação animal. Ao longo dos anos, os consumidores passaram a procurar o produto descascado e embalado a vácuo, dando origem às agroindústrias. Na região Nordeste, a preferência fica com a farinha.

O uso do tubérculo vai além. A Escola Politécnica da Universidade de São Paulo está desenvolvendo um filme plástico à base de amido de mandioca para ser utilizado na embalagem de alimentos, com características superiores aos atuais filmes de PVC, pois é biodegradável e comestível.

A FAO considera que a mandioca pode se transformar no principal cultivo do século 21 em modelos de agricultura sustentável.

Não é a toa que a Embrapa escolheu uma pesquisa sobre mandioca como vencedora do concurso que teve como tema “Quatro décadas da moderna agropecuária brasileira – inovações para segurança alimentar, competitividade e sustentabilidade”. O prêmio será entregue em abril, em Brasília.

Sugiro que o cardápio da cerimônia inclua mandioca, aipim ou macaxeira, todos nomes da mesma planta que no futuro pode também ser competitiva na produção de etanol. E claro, sagu, num desagravo ao preconceito e a soberba contra a tradicional sobremesa dos pampas.

Lizemara Prates é jornalista do Grupo Bandeirantes de Comunicação. Apresenta o AgroBand, na TV Band, e tem comentários diários sobre agronegócio na Rádio Bandeirantes e na BandNews FM. Escreve no Metro Jornal de Porto Alegre


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