Digno de craque

Por fabiosaraiva

Ponta-direita consagrado pelas atuações com a camisa da Portuguesa, Julinho Botelho foi um dos titulares da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1954, na Suíça. Já como ídolo da Fiorentina, da Itália, quarto anos depois, dispensou a convocação para o Mundial da Suécia, em 1958, por não considerar justo jogar o torneio no lugar de algum jogador que atuasse no Brasil. De volta ao Brasil como atleta do Palmeiras, Julinho transformou em aplausos as vaias que ouvia de todo o Maracanã em 1959. A torcida carioca não admitia o fato de Garrincha estar no banco de reservas. Com atuação impecável, precisou de apenas alguns minutos para conquistar as arquibancadas e garantir a vitória do Brasil sobre a Inglaterra por 2×0.

 

CANARINHO

Julinho jogou ao lado de Djalma Santos, Nilton Santos e Didi sob o comando do técnico Zezé Moreira na Copa de 54. O time parou nas quartas de final diante da Hungria. Foi a primeira vez que a seleção jogou com a camisa amarela, que se tornaria símbolo das vitórias que viriam nos anos seguintes. Também foi a primeira Copa disputada na Europa depois da Segunda Guerra Mundial. A Suíça foi escolhida, entre outras coisas, pela neutralidade no conflito encerrado em 1945. Outra novidade foi a numeração fixa nas camisas para facilitar a identificação dos jogadores no gramado.

 

CHUVA DE GOLS

A Copa de 54 ostenta a maior média de gols da história do torneio, com 5,38 gols por jogo. Foram muitas goleadas como Brasil 5×0 México, Áustria 5×0 Tchecoslováquia, Uruguai 7×0 Escócia, Alemanha (na época Alemanha Ocidental) 6×1 Áustria, Alemanha 7×2 Turquia, Turquia 7×0 Coreia do Sul, além de jogos muitos disputados como Inglaterra 4×4 Bélgica e Áustria 7×5 Suíça. O fantástico time da Hungria, campeão olímpico dois anos antes, goleou a Coreia do Sul por 9×0 e a Alemanha por 8×3, mas acabou perdendo a final para os próprios alemães por 3×2. A campanha alemã inspirou o excelente filme `Milagre de Berna`, com a história de um país destruído pela Segunda Guerra que recuperou o orgulho e a alegria com o título mundial de 54.

Sergio Patrick é apresentador e coordenador de esporte da Rádio Bandeirantes, que comanda a Cadeia Verde e Amarela das rádios do Grupo Bandeirantes nas transmissões da Copa do Mundo. A coluna O QUE ROLOU NAS COPAS traz histórias e personagens de todos os mundiais. Envie sua sugestão para [email protected] .

 

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