Um treinador sem malabarismos e frases de efeito

Por fabiosaraiva

leonardo-meneghettiAntes de o presidente do Grêmio ter rechaçado o nome do goleiro Júlio César, o técnico Enderson Moreira o fez, com propriedade e argumento, ontem, em entrevista ao programa Os Donos da Bola, da TV Bandeirantes. “É titular da Seleção Brasileira. Seria incoerente. Ele tem que ir para um clube para ser titular”, definiu o treinador gremista. A novidade é que o clube procura, segundo Enderson, um goleiro para a reserva de Grohe.  Com perfil de experiente, rodado, e consciente de que será reserva de Grohe.  E Júlio César, conforme o próprio Enderson afirmou, “não está neste perfil”.

Seria uma barbeiragem e tanta. Não sei de quem partiu a ideia, talvez dos dirigentes do departamento de futebol ou foi sugestão de algum empresário. O fato é que o Grêmio cogitou a contratação do número 1 da Seleção. Para um clube em contenção de gastos contratar um goleiro deste porte com Marcelo Grohe à disposição é como jogar dinheiro pela janela. Além de criar um problema e tanto no vestiário.

Na conversa de ontem, gostei das ideias de Enderson Moreira. Ele não reclama da qualidade do grupo que tem para trabalhar. Acha que está bem servido e em condições de disputar com os demais clubes o título da Libertadores da América. Fiquei com a impressão de estar diante de um sujeito pragmático e objetivo. Não está preocupado em jogar para a torcida, não se agarra em frases espetaculares. É simples e procura simplificar o futebol. Não precisa de malabarismos verbais, teses pomposas ou teatrais para mostrar segurança e conhecimento. A verdade é que estou um tanto cansado de treinadores que quando falam lembram vendedores da Amway – com todo respeito a estes profissionais! Enderson quer organizar um time, dar padrão tático e ter ao menos outros dois sistemas de jogo como alternativas.

Enderson pensa seu time com Zé Roberto. Destaca a experiência do meia, e também a qualidade e condição física. Preferiu não entrar na dividida de quem é mais fácil de ser substituído, Rhodolpo ou Souza. Enderson é um treinador que não reclama de jogadores que deixam o clube. “É preciso avaliar qual o negócio é melhor para o clube e não apenas a qualidade dos jogadores”, foi lógico. Saindo alguém ele abraça os que permanecem e com eles monta seu esquema, sem ficar reclamando pelos cantos como outros medalhões que por aqui já estiveram.

Gostei também quando ele falou de seu estilo de comando de vestiário. Costuma ser direto e objetivo com os jogadores. E não dá espaço a atletas que reclamam por estarem de fora do time. “Tem que trabalhar e jogar, é assim que se conquista vaga de titular”, resumiu. O treinador não se encantou com o futebol da estreia contra o Aimoré. “Fomos bem, mas não tem nada de máquina. É apenas um bom começo”. Ou seja, tem os pés no chão.

O Grêmio está em boas mãos com Enderson. Treinador jovem, é claro que ainda longe de ser consagrado, montando seu caminho e sua trajetória no futebol, em busca de experiência. Foi bem especialmente no Goiás, mas é agora que efetivamente terá uma grande exigência. É um profissional consciente da responsabilidade e do momento do clube. Admitiu que o importante para o Grêmio, atualmente, é ganhar títulos e não apenas fazer um bom trabalho. Tivesse um pouco mais de qualidade seu caminho seria facilitado. Com o atual grupo o Grêmio precisará muito dele e do preparador físico Fábio Mahseredjian.

Jornalista esportivo desde 1986, Leonardo Meneghetti foi repórter de rádio, TV e jornal e está no Grupo Bandeirantes desde 1994. Foi coordenador de esportes, diretor de jornalismo, e, desde 2005, é o diretor-geral da Band/RS. Diariamente, às 13h, comanda “Os Donos da Bola”, na Band TV. Escreve no Metro Jornal de Porto Alegre

 

 

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