Polícia, para quê, ciclista?

Por fabiosaraiva

cleber-andersonEm São Paulo, cerca de 40% da frota de automóveis circula ilegalmente sem pagar multas e IPVAs. Provocam trânsito excessivo e acidentes que não existiriam. A manutenção provavelmente é feita com peças “robauto”. A todo momento vivenciamos situações de violência tanto no trânsito como fora dele. Quando isso começa a afetar nossa integridade física, é hora de parar tudo e repensar a cidade em que vivemos, ou melhor, tentamos viver.

Desde o início do ano, mais de 10 bicicletas foram roubadas de ciclistas treinando no campus da USP. Quatro bandidos armados em duas motos se aproximam, fazem o assalto, circulam pelo campus com as bikes nos ombros e depois saem sem nenhum controle pelas portarias.

Lá, vários casos de violência, estupro e mortes aconteceram. Depois disso, em 2011, um convênio assinado entre a Universidade e a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, o campus definiu que a USP teria segurança da polícia militar.

Em um país desenvolvido, crimes como esse, que acontecem sempre da mesma forma, são solucionados rapidamente. Em instantes, os bandidos estariam na cadeia. Sr. governador Geraldo Alkmin, será que estamos vivendo uma crise na segurança pública? Isso tudo não é responsabilidade da sua gestão?

Se a responsabilidade é do governo estadual ou da prefeitura da USP, o que sabemos é que a impunidade, a corrupção e a venda ilegal de produtos sem procedência reinam neste país como os desmanches de carros. Pagamos muito imposto. Só a ST (substituição tributária) encarece uma bicicleta em mais de 20%. Isso vai para os cofres públicos. Não deveria ser revertido também em segurança?

Um ciclista em São Paulo já sofre muito para manter sua saúde. Devido ao horário apertado para treinar e depois trabalhar e aos problemas de trânsito, a maioria dos ciclistas treina na USP entre às 4h30 e para às 7h quando o trânsito começa a piorar. É válido lembrar que 93% dos automóveis que circulam por lá o fazem como opção de atalho. Só 7% do trânsito de automóveis é de alunos, professores e funcionários. Graças aos incidentes, os ciclistas passaram a treinar mais na ciclovia do rio Pinheiros e já marcaram um protesto para o próximo dia 1 de fevereiro, às 9h na Praça da Reitoria (Bolinha). Aproveite também para denunciar o comércio ilegal de bikes e peças.

Alguém precisa morrer para uma atitude ser tomada?

Cleber Ricci Anderson, 47 anos, é especialista em bike fit (ajuste postural), ex-ciclista da Seleção Brasileira de Ciclismo, pioneiro em MTB no Brasil, autor do Guia Bike na Rua e do projeto Ciclo-Rede e proprietário da Anderson Bicicletas.

 

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