Rolezinhos e outras sementes

Por fabiosaraiva

mario-sergio-duarteOs entusiastas cariocas dos chamados “rolezinhos”, movimento de jovens que nas últimas semanas se transformou no pavor dos lojistas e dos frequentadores dos shoppings paulistas, estão usando as redes sociais para convocar os simpatizantes desse novo tipo de manifestação para três “eventos” semelhantes que pretendem fazer em shoppings; do Leblon, da Barra e da Tijuca.

A coisa é mais ou menos assim: uma multidão com centenas, podendo chegar a milhares, se aglomera no interior dos shoppings com propósitos de ruptura das regras estabelecidas para o convívio e a segurança dos clientes. Consolidada a primeira fase do plano, que é a concentração num determinado lugar, eles passam à segunda, que consiste em bloquear escadas rolantes, portas de banheiros, portas de lojas e acessos em geral, dando início ao tumulto que se segue à ruptura da normalidade. A terceira fase se dá imediatamente, com o corre-corre intencional e estratégico para semear pânico. Atônitos, lojistas abaixam as portas, mães e pais desesperados agarram seus filhos, idosos, grávidas e outros mais vulneráveis que ali buscam proteção onde e como podem.

Em São Paulo já houve vários. No último domingo, dia 12, um vigilante de um shopping de Guarulhos foi violentamente espancado por uma turba do “rolezinho”, armada com pedras e paus; o guarda chegou a desmaiar e ficou bastante ferido. No dia anterior (11), no Shopping Itaquera, um bando agressivo, aos gritos, e com estética ameaçadora, simuladora de arrastão, promoveu pânico que poderia resultar em tragédia.

Eu não quero amedrontar ninguém, mas estamos muito perto disso acontecer aqui no Rio, até porque o que não falta é apoio da turma que se encanta com toda forma de violência coletiva que possa festejar e minimizar com o eufemismo: “movimento social”.

Nas redes a discussão está rolando com a temática “lutas de classe”, como podemos entender da opinião dos sociólogos Rudá Ricci e Alexandre Barbosa Pereira. Aí, segundo eles, quem está apavorado com a violência dos “rolezeiros” é preconceituoso, porque, afinal, alguns milhares de “despossuídos” colocarem sob o domínio do pavor, e enxotar daqueles espaços (diga-se de passagem, privados!) gente indefesa como crianças, adolescentes, mulheres e velhos, tudo se justifica como protesto contra a “opressão e dominação capitalista” que estes representam.

Discriminação de classe pode ser um rótulo intelectual interessante para se colar na testa de quem não gostaria de ver ideologias sanguinárias impondo suas concepções totalitárias em nossa bandeira; gente assim, como eu. Posso estar enganado, mas, infelizmente, de “rolezinho em rolezinho” uma sementinha de ódio de classe vai sendo colocada diante dos olhos abertos de quem não quer ver.

O coronel Mário Sérgio Duarte, autor do livro “Liberdade Para o Alemão – O Resgate de Canudos”, escreve às quartas-feiras no Metro Jornal do Rio de Janeiro.

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