Bom senso. Mas com profissionalismo!

Por fabiosaraiva

leonardo-meneghettiO episódio Scocco é emblemático. Evidencia a fragilidade dos clubes. Talvez escancare também a necessidade de administrações mais profissionais. Clubes devem ser administrados efetivamente como empresas. E os jogadores não devem estar sustentados apenas no bom senso, a expressão da moda desde o ano passado. Profissionalismo também é fundamental nesta relação.

O Inter pagou em torno de R$ 15 milhões pelo atacante argentino que, reitero, é um baita jogador. O fato de ele ser talentoso serve inclusive para agravar a situação do clube. Fosse um perna de pau, o problema já estaria resolvido e não ganharia mais que um rodapé no jornal. Mas Scocco foi um dos principais jogadores da Libertadores de 2013. Agora ele diz que não sente “adrenalina” para atuar no futebol brasileiro. Esta é uma atitude profissional? Scocco foi sincero, reconheço. Mas demonstrou bom senso diante de um clube que investiu alto na sua contratação?

E então o Inter irá negociá-lo. Enquanto isso o jogador treina em separado, o que para o clube nada representa. E segue recebendo em dia seu bom salário, colocado no padrão dos jogadores diferenciados do País. Reconheço que o Inter não pode deixar de pagá-lo, sob pena de perder o vínculo. Mas poderia tentar um acordo com o argentino. Enquanto uma negociação não é concretizada, o clube dispõe estrutura de treinamento, mas não paga salários.  Há ainda outra alternativa. Nós sabemos que os jogadores recebem por dois contratos. Um padrão, CLT, e outro, bem maior, que corresponde ao chamado direito de imagem. Então, como não joga, Scocco não tem direito a receber pelo contrato de imagem.

O Inter já errou com Guiñazu. Titular absoluto do time, acabou liberado gratuitamente para o Libertad, do Paraguai. Foi pressionado pela mulher para sair de Porto Alegre. Eu até entendo os motivos que poderiam desagradar a senhora Guiñazu, que não queria de forma alguma o marido morando na capital gaúcha. Mas o clube não pode se submeter a este tipo de pressão. O jogador assinou contrato. O vínculo estava em vigência. No entanto, Guiñazu passou a conversa no presidente Giovanni Luigi que, amigavelmente, liberou o volante argentino.

Agora o Inter tem à frente do departamento de futebol Marcelo Medeiros, competente advogado, que certamente estará ligado nestas questões e saberá contornar melhor o problema. A receita é não pagar o contrato de imagem de Scocco, já que ele não se sente motivado para jogar. Mais do que isso, caberá a Medeiros a missão de contratar um substituto para a repentina saída do argentino. O clube não pode perder seus dois principais atacantes e ficar de braços cruzados. Marcelo Medeiros acertou na mosca quando contratou Wellington Paulista. Mas Abel precisará de mais um jogador e de qualidade. Rafael Moura já deu provas de que está pronto para integrar o Sindiconta, o Sindicato dos Contadores do Rio Grande do Sul. Mas aqui, na aldeia, ainda não provou que pode vestir a 9, como titular. É opção para o banco.

Jornalista esportivo desde 1986, Leonardo Meneghetti foi repórter de rádio, TV e jornal e está no Grupo Bandeirantes desde 1994. Foi coordenador de esportes, diretor de jornalismo, e, desde 2005, é o diretor-geral da Band/RS. Diariamente, às 13h, comanda “Os Donos da Bola”, na Band TV. Escreve no Metro Jornal de Porto Alegre

 

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