Temos estádios. Não temos times!

Por fabiosaraiva

leonardo-meneghettiExageramos. Erramos. Repetimos erros. Fomos reincidentes. Contratamos mal. Acordos longos, dinheiro jogado fora. Faltou gestão e também profissionalismo. Sobrou imprevidência. Agora somos obrigados a recuar. Dar dois passos para trás e rever a grandeza dos nossos clubes. Vale para o Estado. Vale para o Brasil.

Observem nossos reforços para 2014. O quarentão Dida, o contestado Edinho, as apostas Geromel e Alan, talvez Aranguiz, a tentativa de recuperação de Paulão e o emergente Ernando. E ainda Wellington Paulista, este um degrau acima dos demais. Nomes que não entusiasmam. Não lotam nem uma Kombi para recepcioná-los, o que dirá o aeroporto! E é assim que ficaremos na aldeia.

Talvez mais duas ou três contratações deste porte. Quem sabe algum gringo escondido no Uruguai, Chile ou Equador. Já olharam no México se há alguma revelação? Talvez um paraguaio útil num esquema tático bem organizado. Ou um argentino que ainda não tenha sido descoberto pela Europa ou que esteja no velho mundo e queira ficar mais próximo da família. Criatividade e atenção ao mercado serão ferramentas imprescindíveis aos dirigentes.

O fato é que esta redução na folha de pagamento mostra que exageramos. Fizemos contratos longos, salários astronômicos. E a bola não correspondeu. Os resultados não vieram na proporção do investimento. Agora estamos desesperados buscando clubes para encostar jogadores caros. Grêmio e Inter estão apenas iniciando este processo de enquadramento da folha no padrão de arrecadação dos clubes. Há muito ainda a ser feito. Inclusive vendas. Se Luigi e Koff pudessem colocariam anúncios nas camisetas de alguns jogadores. VENDE-SE!

O momento exige bem mais competência dos dirigentes e integrantes das comissões técnicas. Serão necessárias categorias de base bem estruturadas e planejadas para a formação de novos talentos. Clubes mais profissionais. Cobrança e fiscalização em trabalhos de técnicos. A época do treinadorismo, aquele sujeito que chega acompanhado de uma dezena de assessores e indicando meia dúzia de jogadores, acabou. É hora de profissionalismo. Do goleiro ao último atacante. Da telefonista ao presidente. Ou isso ou a Série B vem aí.

Entramos numa dura realidade. Parece que os dirigentes perceberam que nossos clubes viviam uma ilusão. E mesmo assim os resultados não corresponderam. O Inter destes últimos três anos já não mete medo em ninguém e acaba de escapar do rebaixamento por apenas dois pontinhos, na última rodada. O Grêmio, um tanto melhor este ano, também não ganhou nada. E agora é obrigado a atrasar salários do grupo de jogadores. Esta readequação é uma forma de ajuste de erros e desperdícios cometidos nestes últimos anos. Chegou a hora de pagar a conta. Construímos estádios. E agora não temos times. A continuar assim realmente ainda veremos jogador em campo com a camisa 9 e o anúncio: VENDE-SE. Tratar no número…

Jornalista esportivo desde 1986, Leonardo Meneghetti foi repórter de rádio, TV e jornal e está no Grupo Bandeirantes desde 1994. Foi coordenador de esportes, diretor de jornalismo, e, desde 2005, é o diretor-geral da Band/RS. Diariamente, às 13h, comanda “Os Donos da Bola”, na Band TV. Escreve no Metro Jornal de Porto Alegre

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