A onda que assusta

Por fabiosaraiva

mario-sergio-duarteEscrevo este artigo assustado com a onda de crimes violentos que têm acontecido no Rio de Janeiro neste início de ano.  Estou falando desse “ondaço” de tiros, facadas e empurrões mortais que vimos acontecer desde as primeiras horas de janeiro, que vitimaram mulheres atacadas por ex-afetos de passionalidade criminosa inominável, só agora conhecida, mas muito provavelmente intuída, presumida e até identificada por aquelas vítimas, cujo rompimento da relação como forma de fugir do perigo não foi suficiente ante a crueldade posta às claras na monstruosidade das atitudes de seus agressores.

Aliás, antes mesmo do romper de 2014, a loucura passional já dava sinais de sua presença no Ano Novo. Com fúria animalesca, iniciada numa briga doméstica passada à tentativa de esganação de sua mulher, o pedreiro Adilson Rufino da Silva por pouco não transforma o internacional Réveillon de Copacabana numa desgraça de proporções inqualificáveis, ao sair disparando a esmo com a arma que tomou de um policial.

As 11 pessoas feridas por ele podemos até considerá-las com sorte, porque, convenhamos, duas dezenas de tiros desferidos pelo agressor e pelos policiais que o acertaram não terem produzido nenhuma vítima fatal entre as centenas de milhares que estavam ao alcance das “balas”, só mesmo a Providência Divina.

É verdade, também, que os homicídios consumados e tentados no Estado neste ano não vitimaram apenas mulheres. O assassinato ontem do motorista Francinaldo Ribeiro de Souza ao volante do seu ônibus nos enche de perplexidade por vários motivos. Muita gente tem, por exemplo, um sentimento íntimo de que o local de trabalho é uma espécie de templo regido pelo “bem”: aquilo que guia, valida e iguala, na dimensão moral, todos que o praticam e às suas virtudes. A morte de um trabalhador no momento em que defende o pão da família multiplica em “mil milhões” a reprovação social e a aversão ao criminoso. É o crime do desrespeitoso, do covarde, do infame, deformidades que fazem superar a gravidade que em si carrega o próprio crime.

Não posso garantir que não tivemos crimes violentos no início do ano passado. É possível que sim, e até em maior número. Não fiz qualquer consulta às estatísticas e às notícias da mídia sobre a mesma época para respaldar meus receios e explicar o porquê de estar assustado com os crimes violentos neste início de ano. Não tenho razões lógicas, cientificamente explicáveis.

E eu não tenho uma expectativa ruim para a Segurança Pública em 2014, mas esses crimes me fizeram pensar nas pulsões do homem para a violência. Até agora não inventamos uma política pública que mate no homem a vontade de matar.

O coronel Mário Sérgio Duarte, autor do livro “Liberdade Para o Alemão – O Resgate de Canudos”, escreve às quartas-feiras no Metro Jornal do Rio de Janeiro.

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