Caça aos gângsteres

Por fabiosaraiva

diego-casagrandeLos Angeles, 1949. Os anos seguintes ao fim da 2a Guerra Mundial trouxeram milhares de americanos para casa. Ao retornar para sua cidade e reassumir o cargo de policial, o sargento John O´Mara encontra uma cidade tomada pela máfia. Jogatina, prostituição, tráfico de drogas, extorsão. Os fora da lei, liderados pelo mafioso judeu Mickey Cohen, haviam tomado conta e corrompido a polícia, os políticos e o judiciário. Esta é a história de “Caça aos Gângsteres” (EUA, 2013), dirigido por Ruben Fleischer e com Sean Penn no elenco. Assisti em DVD.

“A guerra me ensinou que para o mal triunfar, só é preciso que os bons não façam nada”, filosofa O´Mara, que aceita integrar um grupo de policiais dispostos a tudo para combater o crime e impedir que assim como Chicago, a capital do cinema também se torne um paraíso de malfeitores. Tarefa árdua mesmo para homens de verdade, considerando que o sistema estava corrompido, controlado por ratos com distintivos e togas. Mas não algo impossível, se acreditarmos que há mais virtude do que o contrário no ser humano. E é esta virtuosidade, agregada à impetuosidade de quem deseja combater o mal, que em certo momento leva o mafioso a revelar como era difícil lidar com cidadãos incorruptíveis. “Comprei muitos policiais. Sei o que estou dizendo. É um tipo diferente de tira. São difíceis, não interessados em dinheiro. Um tira que não está à venda é como um cão com raiva. Não há remédios para ele”.

Tenho insistido que nosso país está doente. A corrupção campeia e cresce em todos os níveis. Há políticos, empresários, juízes, promotores, jornalistas, funcionários públicos e todos aqueles que têm algum poder ou influência, comprometidos com essa degradação de valores morais. Seja por envolvimento direto, seja por omissão, todos têm sua parcela de culpa. No filme, ao aceitar o convite para integrar o esquadrão, o detetive Keeler revela que entraria na briga contra a máfia pensando no filho pequeno. “Um futuro melhor. Foi por isso que lutamos (na 2a Guerra). Não quero dizer a ele que não fiz nada enquanto Cohen o tirava de nós”.

É isso o que está faltando no Brasil: cidadãos dispostos a entregar um país mais seguro e com valores morais mais elevados para as próximas gerações. Se a vida imita a arte, também precisamos caçar nossos corruptos.

Diego Casagrande é jornalista profissional diplomado desde 1993. Apresenta os programas BandNews Porto Alegre 1a Edição, às 9h, e Ciranda da Cidade, na Band AM 640, às 14h. 

Escreve no Metro Jornal de Porto Alegre

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