Encrenca dos ônibus já está no horizonte

Por george.ferreira

Promete muito mais do que simples tiroteio o cenário montado em torno do anunciado – e só temporariamente suspenso – reajuste das passagens de ônibus em janeiro. Se o anúncio de que terá forçosamente que ocorrer, porque assim manda o contrato, reacendeu o ânimo dos movimentos que defendem a tarifa zero, o apito do Tribunal de Contas do Município para segurar qualquer reajuste só jogou diesel no incêndio.
Nada disso, no entanto, move uma palha na direção do que realmente interessa ao carioca, que é um sistema eficiente, confortável e seguro de transporte. No regime atual, de concessão regulada pelo poder público, quando uma empresa oferece um dos itens despreza os demais e passa batido por qualquer tentativa de controle, como provam as investidas da prefeitura para refrigerar os quentões – uma queda de braço sem fim com os empresários.
No ponto a que o assunto chegou, certamente só uma auditoria externa e para valer pode desenrolar a teia que as empresas construíram para embaralhar o jogo. Foi prometida, mas não rolou e sem isso, pode-se encher as ruas de black blocs que não melhora, nem por 10 minutos, a vida do carioca. Bem ao contrário. Só vai dar espaço à tropa do quanto pior, melhor, que reúne desde profissionais da arruaça a ladrões de galinha e bandidos vários, geralmente a soldo de partidos e políticos de baixa extração. Ainda mais em ano eleitoral.
A tarifa zero, pela qual clamam os manifestantes, não existe. Pelo menos no mundo real, em que o dinheiro sempre sai de algum bolso. Geralmente do mais sacrificado. Em São Paulo, onde também se sonha com essa quimera, a Justiça livrou o paulistano de um aumento médio de 18% no IPTU, em 2014, e não pela tarifa zero, mas para mantê-la nos atuais R$ 3. É assim que funciona: nas costas de quem quebrou pedra para alcançar a segurança de botar um teto sobre a cabeça, a prefeitura queria descer o malho da tunga compulsória.
O Rio ainda não enveredou por esse desatino, mas, dependendo dos ventos sobre o tema em janeiro, não faltará quem empurre nessa direção. É a maneira mais fácil de fingir que está tudo resolvido e oferece a vantagem extra de não precisar mostrar nada. Imagine-se o tamanho da encrenca no dia em que vier à luz alguma verdade sobre as relações entre empresários de ônibus e apreciável número de políticos.
Já se sabia, mas desde a descoberta de que vereadores requisitam ônibus, para fazer graça com eleitores cativos, ficou evidente que são especiais as afinidades entre as empresas e esses senhores. Tão singulares que alguns chegaram a botar o pescoço em risco para incinerar a CPI dos ônibus.

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