Chega de salários absurdos. Meritocracia já!

Por Carolina Santos

leonardo-meneghettiQuantos dias um médico ou advogado precisa trabalhar para ganhar R$ 200 mil? E um professor, então, acho que nem se ficar um ano inteiro dando aula durante as 24 horas do dia chegará neste valor! Pois este é o salário de qualquer lateralzinho do nosso futebol. Daí vem o papo de que a carreira é curta. Curta? Eles ganham isso dos 20 aos 38, 39 anos. E para treinadores a carreira também é curta? Tem gente trabalhando com mais de 70 anos.

A verdade é que isso acontece por que há quem pague estas fortunas. São dirigentes, em sua maioria, que não estão preparados para assumir um orçamento maior que muitas prefeituras do nosso país. Reconheço o esforço de muitos, a dedicação e lealdade aos clubes. O que questiono é se têm preparo para exercer tal função. Mesmo dirigentes bem intencionados, como muitos que atuam em nosso futebol, cometem algumas barbaridades. O futebol brasileiro é amador na gestão.

Os clubes pagam salários absurdos a um monte de pernas de pau. Despejam cofres mensais para treinadores ultrapassados, de currículo inexpressivo, e que muitas vezes levam os times ao rebaixamento. Não há controle de despesas. Cartões de crédito são usados a revelia, viagens se transformam em trenzinhos da alegria e convites a parceiros políticos. Contratos são assinados de forma precipitada. E rescindidos sem responsabilidade. Por amizade, jogadores são liberados e não cumprem vínculos que foram assinados. Clubes cumprem obrigações contratuais; jogadores nem sempre. Muitas vezes impera um injustificável paternalismo com os atletas.

Isso acontece porque circula dinheiro fácil no futebol. E este dinheiro não tem, digamos, um dono. É do clube. Não há um acionista cobrando resultados, controlando os gastos e os resultados. E estamos falando de grandes quantias. Sem fiscalização, surge mala preta pra cá, mala branca pra lá, suspeitas na arbitragem, suspeitas em tudo que é canto. Gostaria de saber se os dirigentes do futebol brasileiro administram suas contas como cuidam das contas dos clubes que comandam. Ou seja, gastam mais do que arrecadam! O futebol brasileiro precisa de uma reorganização completa. E adequação à realidade.

É hora de instituirmos a meritocracia. Ou seja, vamos pagar à eficiência. Um bom camisa 10, por exemplo, poderia ter um salário respeitoso entre R$ 80 e 100 mil. Em cima disso teria bônus mensais por jogos como titular ou à disposição do treinador, gols, assistências, vitórias, convocações. Talvez ganhasse mais 80% de bonificação mensal. Ao final do ano, mais um salário por título de campeonatozinho estadual, mais cinco remunerações por título nacional, oito por conquistas internacionais. Se ao final do ano seu time não ganhar nada ele fica com seu bom salário no bolso mais os bônus mensais a que teve direito.

Para treinadores também. Salário dentro da realidade, entre R$ 50 e 100 mil, e premiações por metas. Como em qualquer empresa. Pagar quinhentos contos todo mês para o sujeito vir aqui e não ganhar nada ou beirar o rebaixamento é injustificável. Mas esta nova ordem no futebol brasileiro só será alcançada com os seguintes passos: a completa profissionalização e evolução na gestão e a improvável união dos clubes. Façam isso e veremos se não teremos clubes com equilíbrio financeiro, inclusive com distribuição de lucros para gestores e capacidade de mais investimentos no futebol.

 

Jornalista esportivo desde 1986, Leonardo Meneghetti foi repórter de rádio, TV e jornal e está no Grupo Bandeirantes desde 1994. Foi coordenador de esportes, diretor de jornalismo, e, desde 2005, é o diretor-geral da Band-RS. Diariamente, às 13h, comanda “Os Donos da Bola”, na Band TV. Leonardo Meneghetti escreve no Metro Porto Alegre

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