Renato joga serpentina nele mesmo!

Por fabiosaraiva

leonardo-meneghettiO Grêmio não renovou com Renato, ainda, por duas razões. O primeiro motivo é que não há convicção de que ele seja o técnico ideal para a Libertadores. E o segundo é que o clube aproveita este intervalo para mandar um recado. O Grêmio tenta dizer a Renato que ele não está com a bola toda. Não vai adiantar. Ele se acha “o cara”. A forma como tratou o assunto renovação, no domingo, após o jogo, mais uma vez escancarou isso. “O presidente tem o meu número de telefone e sabe onde me encontrar”.

O assunto Renato Portaluppi é discutido há bastante tempo nos bastidores da direção gremista. Não há consenso. Renato atropelou o departamento de futebol algumas vezes. Ele costuma tratar direto com o presidente. Nunca foi dado a hierarquia. Fosse sustentado por resultados expressivos isso poderia ser facilmente contornado. Mas o Grêmio não ganhou nada em 2013. O papinho furado de que “cheguei aqui para livrar do rebaixamento”, repetido pelo treinador uma dezena de vezes, irrita também os dirigentes. Assim como as manifestações de Renato depreciando a qualidade do grupo com o objetivo claro e pequeno de valorizar seu desempenho como técnico.

Renato fez um bom trabalho no Grêmio. Não mais do que isso. Jamais disputou o título brasileiro. E não teve êxito na Copa do Brasil, onde estavam as principais esperanças de título. E, várias vezes, tropeçou na soberba. Age como ídolo, que sempre será. E não como profissional do clube.

Renato tem confete e serpentina no bolso. Joga para cima e fica parado, esbaldando-se em permanente euforia.

Este excesso de auto-suficiência atrapalha. Ele precisa trabalhar mais, treinar mais, exigir mais do seu grupo. Ser inclusive um observador mais detalhista do adversário. Não há dúvidas de que evoluiu como treinador. Mas não sabemos se tem bagagem suficiente para conquistar uma Libertadores da América, por exemplo. E o Grêmio desconfia disso. Renato consegue, como poucos, criar um ambiente de mobilização no vestiário, especialmente no Grêmio, onde tem uma relação bem próxima com o torcedor. Ele treina mídia, torcida e dirigentes. Mas não é isso que o time requer neste momento. A hora é de um estrategista para montar o grupo e formar um time competente.

Jornalista esportivo desde 1986, Leonardo Meneghetti foi repórter de rádio, TV e jornal e está no Grupo Bandeirantes desde 1994. Foi coordenador de esportes, diretor de jornalismo, e, desde 2005, é o diretor-geral da Band/RS. Diariamente, às 13h, comanda “Os Donos da Bola”, na Band TV. Escreve no Metro Jornal de Porto Alegre

 

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