O poder da classe C

Por fabiosaraiva

lizemara-pratesO brasileiro está ganhando mais e comendo melhor. Em cinco anos, a renda teve alta de 8,6%, puxando o aumento do consumo interno de alimentos com maior valor agregado, como carnes e derivados do leite, além de bebidas como cerveja, cachaça e vinho.

Os dados estão em pesquisa da área de gestão estratégica do Ministério da Agricultura e sinalizam que o crescimento vai se manter na próxima década. Produtos básicos, como arroz e feijão, também estão em alta. A diferença é que se vierem com valor agregado, em pratos elaborados, vão ter mais prestígio. Entre os alimentos industrializados que ampliaram as vendas nos últimos cinco anos estão carnes de frango e bovina, iogurte e queijo.

Dentro deste cenário, produtores e indústrias precisam ficar atentos ao novo perfil dos consumidores. Pesquisa do Instituto Data Popular mostra que a nova classe média brasileira quer melhorar de vida, mas não quer mudar o estilo de vida. Ou seja, quer fartura na mesa, sem abrir mão do arroz e feijão considerado o prato mais nutritivo. Quer também uma casa melhor, mas na mesma comunidade onde vive. Hoje, a classe C representa mais da metade da população brasileira e se tornou protagonista do consumo no país, com um poder de compra superior a R$ 1 trilhão. A região Sul concentra o maior número de pessoas dessa classe. Para quem precisou economizar para comer e dividir alimento entre vários integrantes da família, a alimentação representa algo profundo e por isso, o grupo quer fartura à mesa.

Os pratos à francesa, com pequenas porções arranjadas e uma estética requintada não agradam esses consumidores que querem um prato cheio, celebrando a melhoria de vida. E o tipo de alimento preferido tem a ver também com a atividade desempenhada, que muitas vezes exige um esforço extra compensado com mais calorias. Neste conceito alimentar, a carne, por exemplo, representa um item importante, entrando como parte nobre do prato.

Entre os desafios, está a colocação no mercado de cortes adequados à classe C, embalados em quantidades que possam atender ao número médio de moradores das residências. E também divulgar receitas práticas e populares que possam ser feitas no dia a dia, além dos tradicionais assados de final de semana. Aliás, já era o assado de final de semana. Eles viraram pratos corriqueiros preparados em espaços sofisticados, chamados “gourmets” que estão presentes nas residências das classes A, B e C.

Lizemara Prates é jornalista do Grupo Bandeirantes de Comunicação. Apresenta o AgroBand, na TV Band, e tem comentários diários sobre agronegócio na Rádio Bandeirantes e na BandNews FM.

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