O "fala muito" saudável. E o nefasto

Por fabiosaraiva

leonardo-meneghettiTite foi profético quando discutiu com Felipão e criou a expressão “fala muito”.  O futebol está cheio dos que falam muito por aí. Inclusive nós, da imprensa.  Mas é preciso diferenciá-los. Há o fala muito saudável, que mantém a essência do esporte. Às vezes é acompanhado do gestual saudável. Vargas fez uma brincadeira agradável, imitando um saci na comemoração do gol. D’Alessandro também, encenando o uso de um binóculo. Depois o argentino provocou com a questão dos títulos do rival que estão em fitas VHS. Kleber retrucou ao dizer que o Inter nasceu em 2006. Duas brincadeiras nada originais, mas plenamente aceitáveis e com bom senso. Até penso que o atacante gremista falou muito quando se saiu com “a cidade é pequena, de repente nos encontramos por aí”. Um pequeno deslize.

Mas há o fala muito nefasto, como este interminável bate-boca entre Koff e Odone. Travestidos de quem quer defender os interesses do clube escancaram uma rivalidade pessoal que em nada contribui para a relação Grêmio-OAS. Deveriam estar do mesmo lado. O fato é que não se suportam. E, com frases que funcionam como espadas, ficam duelando publicamente com um terceiro ferido. O Grêmio.

E há também o fala muito de folclore. A piada do mês veio na voz do diretor de futebol colorado Luís César Souto de Moura, que tem sido um personagem e tanto no futebol gaúcho. Para ele, em determinado momento do clássico, houve um “massacre” colorado no rival. Foi bem engraçado! Que o Inter foi levemente superior (na mesma proporção que o Grêmio havia sido no jogo do primeiro turno) concordo. Mas falar em “massacre” demonstra um perigoso desconhecimento deste esporte. Ah, e Rui Costa parece que também não viu o Gre-Nal tal a forma como analisou o jogo.

Fortalecidos – Como a Dupla, arregimentei esperanças depois do Gre-Nal. Fiquei contagiado com a qualidade de nosso clássico. E reuni forças para projetar mais dois confrontos pela Copa do Brasil. Eu não garanto que isso irá acontecer. Mas a partir de agora pode acontecer. Não me surpreenderei com nossos dois clubes na semifinal do torneio. Assim, teríamos um finalista garantido.

A situação do Grêmio é mais confortável, embora longe de ser definitiva. Preciso levar em consideração que o tricolor está melhor do que o Corinthians. E joga em casa. O time de Tite não fez o tema de casa de construir uma vantagem no primeiro jogo. Eu sei que este 0 a 0 na partida inicial é bem traiçoeiro. Qualquer empate com gols elimina o Grêmio. Mas preciso levar em consideração o que observo das duas equipes no Brasileiro. O clube gaúcho está em segundo, 13 pontos e dez posições à frente do Corinthians.

O Inter tem uma situação desconfortável. O Atlético-PR está bem melhor no campeonato, nove pontos e seis posições acima. E joga em casa por um empate sem gols. Portanto, é o mais credenciado a alcançar a vaga. Mas também é verdade que Clemer ajustou o time nas últimas partidas. Observa-se um progresso tático. E o time bem mais aplicado. Talvez as mudanças não sejam suficientes para reverter a desvantagem. Mas o Inter, ao menos, entrou na briga. E não será uma zebra se voltar semifinalista da Copa do Brasil.

 

Jornalista esportivo desde 1986, Leonardo Meneghetti foi repórter de rádio, TV e jornal e está no Grupo Bandeirantes desde 1994. Foi coordenador de esportes, diretor de jornalismo, e, desde 2005, é o diretor-geral da Band/RS. Diariamente, às 13h, comanda “Os Donos da Bola”, na Band TV.

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