Querem mudar nosso pãozinho

Por fabiosaraiva

lizemara-pratesA Câmara dos Deputados retomou a discussão sobre a adição da farinha de mandioca ao pão branco, hoje produzido exclusivamente com farinha de trigo. Uma Comissão Especial foi criada para apreciar o projeto de lei que cria o pão brasileiro. O projeto estabelece acréscimo de 3% de farinha de mandioca no primeiro ano de vigência da lei, 6% no segundo, e 10% no terceiro.

A adição da farinha de mandioca ao pão já foi aprovada pelo Congresso em 2008, mas foi vetada pelo então presidente Lula, por considerar que haveria aumento de custos e que a mistura seria de difícil comprovação. Os parlamentares envolvidos no projeto alegam que a mudança na composição do pão desoneraria as importações brasileiras de trigo e farinha de trigo. A dúvida fica por conta do paladar do consumidor gaúcho.

Por aqui, podemos avançar nos testes com farinha de arroz, já que somos o maior produtor do grão no país. E testar com os consumidores. Afinal, quem manda no mercado é o comprador. Não adianta fabricar o que não tem aceitação. É encalhe certo e pão não tem prazo indeterminado de validade.

 

Sal

O nosso pãozinho é uma combinação de farinha, água e sal. E o sódio está sendo demonizado junto com o açúcar. No Brasil consumimos, em média, mais do que o dobro da quantidade de sal recomendada pela Organização Mundial de Saúde. A preocupação vai além da pitadinha que colocamos na batata frita ou na salada. O sódio contido nos alimentos industrializados é um grande problema. Ele é utilizado como conservante nos embutidos: salsichas, linguiças, presuntos, hambúrgueres, empanados e pratos congelados. O sal foi uma das primeiras formas encontradas pelo homem para conservar alimentos perecíveis.

Nas antigas fazendas de gado no Rio Grande do Sul, os animais eram carneados e salgados. A carne era transformada em charque. A Guerra dos Farrapos teve origem na taxação do charque pela União. Enquanto outros Estados produziam açúcar e café para o mercado externo, o Rio Grande do Sul produzia charque e couro para o mercado interno. A alta tributação começou a incomodar os compradores que foram atrás da concorrência nos países do Prata.

Assim, a viabilidade econômica das charqueadas gaúchas entrou em risco e a guerra começou. Agora, a guerra é para diminuir o teor de sal sem alterar o sabor dos alimentos. Estão na mira das autoridades sanitárias o macarrão, os pães, bolos e biscoitos, cereais, margarina, caldos e temperos.

Será que vamos aprovar pãozinho com mix de farinha de mandioca e sem sal?

Lizemara Prates é jornalista do Grupo Bandeirantes de Comunicação. Apresenta o AgroBand, na TV Band, e tem comentários diários sobre agronegócio na Rádio Bandeirantes e na BandNews FM.

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