O fim não justifica os meios

Por fabiosaraiva

mario-sergio-duarteRecentemente escrevi dois artigos nos quais critiquei duramente os black blocs. Julgo suas condutas incompatíveis com a democracia. A liberdade que usufruímos, construída pelo entendimento que supera as forças das armas e a intolerância das ideologias, não pode ser ameaçada por eles, uma minoria enraivecida que quer fazer prevalecer seu entendimento das coisas mundo.

Se os black blocs não incomodam uma parcela da população, me conforta saber que parcela maior está a cada dia mais incomodada, e começa a exigir uma atitude enérgica contra seu vandalismo organizado. Quem trabalha, por exemplo, no Centro do Rio de Janeiro, já não suporta alterar sua rotina e sofrer perdas, como chegar atrasado às aulas, ou passar momentos de pânico, como pessoas conhecidas me relataram ter sofrido numa composição do metrô, na Cinelândia, afetada pelo gás de pimenta.

Mas, enquanto não há clamor popular contra o caos, os “poderes” relativizam a intolerância oriunda desses simulacros de movimento social, pondo-a no patamar da liberdade legítima e fazendo pensar que quem lhes coíbe a arruaça é justamente o lado violento e intolerante da questão, ou seja, as forças policiais. Em 2007, na França, o então candidato à presidência Nicolas Sarkozy alertava para a leniência da política dominante em seu país, dizendo sobre o caos de 2005, quando mais de 9 mil carros foram incendiados por turbas: “Deixaram sem poder as forças da ordem e criaram uma farsa. Abriu-se uma fossa entre a polícia e a juventude. Os vândalos são bons e a polícia é má”. Vê-se que lá, como aqui, uma confusão conveniente entre o que é “vontade”, produto de nossas idiossincrasias, e “necessidade”, fruto de nossas insuficiências, ajudou governantes a lidarem de forma cínica com a brutalidade oriunda de manifestações coletivas.

O fim não justifica os meios. Se indivíduos ou coletividades possuem motivos para lutar por suas verdades, que respeitem os limites da lei! Estando ou não Amarildo envolvido com o tráfico da Rocinha, um exemplo muito apropriado a esta crítica, nada autorizava seu suplício. Quem o matou terá que pagar pelo que fez. Na plenitude da democracia, insisto, tortura e terrorismo não cabem sob pretexto algum. Não há lugar para o policial que tortura e mata, não há lugar para quem “rouba em nome da ideologia”, não há lugar para black blocs violentos e não há lugar para quem, governando, tenta se confundir na massa, esperando não correr para o lado “errado” que de antemão não é o seu, porque não há lado certo ou errado para quem não é de lado algum.

O coronel Mário Sérgio Duarte, autor do livro “Liberdade Para o Alemão – O Resgate de Canudos”, escreve às quartas-feiras.

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