Meu erro incorrigível

Por Carolina Santos

diego-casagrandeErro não é para ser punido, é para ser corrigido, diz o filósofo Mario Sergio Cortella em seu livro “Pensar bem nos faz bem!” Ele sustenta que a punição deve se aplicar à negligência, à desatenção e ao descuido. Explica que nós não aprendemos com os erros e sim com a correção dos mesmos. “Se aprendêssemos com os erros, o melhor método pedagógico seria errar bastante, e há erros que são fatais, são terminais”. Bem anotado. Melhor ainda se pudéssemos aprender, sobretudo, com os erros dos outros, o que não acontece. Ao longo da vida, a tendência – não a regra – é nos tornarmos melhores, pois vamos com as experiências corrigindo rumos, buscando o equilíbrio e diminuindo a possibilidade de errar naquelas coisas que estão ao nosso alcance. Indo além, Cortella acredita que o erro – ou melhor, sua correção – é grande fonte de inovação na vida humana.

Concordo com ele. Mas o que diferencia um erro de uma ação deliberada que produz resultados negativos? A política brasileira, campeã mundial em distorcer qualquer coisa razoável, explica: não há diferença. No Brasil dos políticos que enriquecem com obras públicas e acordos espúrios de gabinete, passou-se a confundir safadeza, dolo, a intenção de fazer errado com falhas humanas. Como se a falibilidade do homem nas questões morais e éticas fosse inevitável nos governos. “Fulano errou”, gostam de dizer falsamente políticos tupiniquins quando seus colegas de partido são flagrados assaltando o cidadão.

Nossa terra é terreno fértil para malfeitos de toda ordem.  Vultosas somas de dinheiro “sem dono” envolvidas, um péssimo controle social sobre elas e uma cultura tolerante que transforma a transgressão torpe em mero erro são o caldo disso.

Semana passada o diretor da Agência Nacional de Saúde Suplementar, Elano Figueiredo, pediu demissão após ser informado da recomendação de sua destituição pela Comissão de Ética da Presidência da República. Ele foi advogado de planos de saúde e não havia informado isso antes. Já Dias Toffoli, que foi advogado do PT e até nomeado para a Casa Civil por José Dirceu, não se deu por impedido como ministro do STF para julgar o padrinho. Por que o tratamento diferente para casos semelhantes?

Se há um erro que não consigo corrigir é esta insistência em acreditar que o Brasil tem jeito.

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