Os verdadeiros amigos

Por Carolina Santos

diego-casagrande“Quanto mais conheço as pessoas em Washington, mais gosto dos meus cachorros”. A famosa frase foi dita há décadas por um presidente americano. Há dezenas de variações do mesmo tema atribuídas a celebridades em diferentes momentos, mas a essência é uma só: quando se trata de amizade, companheirismo e lealdade, os cães são imbatíveis.

Conheci um andarilho, morador de rua, cuja morada era embaixo de um viaduto e cercado por meia dúzia de cachorros. Tinha ali sua família. Os companheiros inseparáveis eram de várias pelagens e tamanhos. Quando fazia muito calor, lá estava o homem carregando latas cheias de água para saciar a sede deles. Quando fazia frio, ficava encostado na parede abraçado aos amigos caninos e coberto por uma manta velha, feita de retalhos. Apesar das reclamações da vizinhança – o homem e seus amigos faziam sujeira – sempre tinha alguém que levava alimentos. E sempre o homem primeiro dava de comer aos cachorros, que se alimentavam educadamente, como se fossem adestrados. Vê-los comer era mais aprazível do que ver muita gente metida a besta comendo por aí. Era bonita a parceria que aquele homem desprovido do mínimo, sem nada, mantinha com os animais. Ali, embaixo daquele pedaço de concreto frio, eram iguais na natureza.

Na semana passada, conheci a comovente história do cão Beethoven, adotado quando filhote e cuidado com zelo por um funileiro de São Paulo. Ele já espera há quatro meses pelo dono, monta guarda e não deixa ninguém chegar perto. Beethoven já não late mais, não brinca mais e come cada vez menos. Mesmo desolado, Beethoven continua fiel à guarda matinal sempre às 7h. O que ele não sabe é que não verá mais seu dono, que morreu de infarto.

Diferente dos cães, nós humanos somos pródigos em deslealdades das mais variadas. Nossa inteligência e evolução nos fez mais racionais e capazes de operar milagres na medicina, na engenharia, na tecnologia e em qualquer outra área. No entanto, não raro nas relações humanas, nos comportamos como primitivos. Ao contrário dos cães, sabemos fingir como nenhuma outra espécie. E também machucamos nossa própria espécie como nenhuma outra.

Cada vez mais admiro os animais, sobretudo os cães. Você pode ficar sem dinheiro, sem comida e sem teto, mas com eles por perto, jamais estará sozinho.

Diego Casagrande é jornalista profissional diplomado desde 1993. Apresenta os programas BandNews Porto Alegre 1a Edição, às 9h, e Ciranda da Cidade, na Band AM 640, às 14h.

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