Somos medíocres

Por Carolina Santos

leonardo-meneghettiEu não aguento mais comemorar vaga! Estamos nos acostumando com este tipo de situação: brindar vagas em outras competições. Vamos cansar de dar tantas voltas olímpicas exibindo nas mãos uma tabela de classificação. Nossos dirigentes estão anestesiando torcedores com este negócio de celebrar vagas, falar em G-4, G-3 e esquecem que o ponto G, de verdade, é o titulo! A seguirmos neste passinho imagino dentro de alguns anos como ficarão os museus da dupla Gre-Nal. Com vaga para tudo que é lado!

Os dirigentes vão se alfinetar para ver quem tem mais vagas. Imagine o diálogo. “Olha ali a nossa vaga da Libertadores 2012”, dirá, peito inflado, o colorado. “Quase nos atrapalhamos para passar pelo The Strongest, mas o Santos nos deu uma mãozinha. Depois caímos fora na segunda fase”, completaria. “E já somos bi neste negócio de cair na segunda fase”. O gremista retrucaria. “Então olha a nossa vaga da Libertadores 2007, brilhando ali na prateleira. Na final, endurecemos com o Boca, fizemos uma guerra no Olímpico, reacendemos a imortalidade. Levamos apenas cinco”.

Sem ganhar nada significativo há 12 anos o gremista exultaria. “Também ganhamos vaga de Libertadores em 2009, 2011 e 2013, e todas serão expostas numa sala especial da Arena”. Estamos tão bitolados com as tais vagas que parecemos o simpático Muttley, aquele cachorrinho dos desenhos que só quer saber de medalhas. No caso dos nossos clubes são vagas, vagas e mais vagas.

Vagas são as ideias dos nossos dirigentes sobre planejamento em futebol.  Vaga deve ser encarada como consequência e não como objetivo. O Grêmio bradou o ano passado que queria vaga para começar na Arena com uma Libertadores pela frente. E daí? Adiantou o que? Veio um Santa Fe da vida, um medíocre time colombiano, e deu uma bordoada empurrando o Grêmio para fora da competição. Já na segunda fase. Que é para nem esquentar lugar na Libertadores. Reduzimos nossos horizontes. Pensamos pequeno. Nos encolhemos!

O Grêmio está 11 pontos atrás do líder. O Inter já vê o Cruzeiro de luneta, 16 pontos lá na frente. Embora o presidente Giovanni Luigi qualifique o trabalho de Dunga como “excepcional”, o que é quase uma brincadeira, a campanha colorada é anêmica no Campeonato. Liderado pelo jornalista Valter Junior, o Metro Jornal fez, em sua edição de ontem, um preciso diagnóstico dos equívocos do clube neste ano. E ali fica evidente a completa ausência de planejamento dos dirigentes colorados. O clube vende zagueiro e não repõe. Pensa em resolver seus problemas com a manutenção de Rafael Moura e as contratações de Ednei, Airton, Vitor Júnior e Alan Patrick. Agrega os principais reforços em agosto. E terceiriza para o treinador o total comando do vestiário.

Temos mesmo que nos abraçar na Copa do Brasil, Afinal de contas, vale vaga!

Querem saber? Pois eu penso que nossos dirigentes estão buscando a vaga da Libertadores nesta Copa do Brasil. O título vem a reboque.

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