Luta contra o desperdício

Por Carolina Santos

lizemara-prateslizaQuando fazemos uma refeição nos concentramos na aparência, no aroma, no sabor. Não temos preocupação com o que deixamos no prato. As carnes são um exemplo que impressionam os estrangeiros que nos visitam. Os rodízios nas churrascarias assustam muitos deles que pensam quanto vão gastar com toda a comilança. Se surpreendem ao saber que todos os cortes estão em um pacote com preço fechado e que podem descartar muitos pedaços. Este cenário resulta da abundância na produção brasileira. Temos muita terra e muito gado. Por isso, talvez tenhamos menos consciência do desperdício.

Relatório da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura aponta que 1,3 bilhão de toneladas de alimentos são desperdiçados anualmente causando perdas econômicas e impacto nos recursos naturais. É um alerta para agricultores, processadores de alimentos, supermercadistas, governos e consumidores mudarem hábitos e incluírem práticas como reutilização e reciclagem. De acordo com o estudo da FAO, 54% do desperdício de alimentos no mundo ocorrem na fase inicial da produção, manipulação pós-colheita e armazenagem. Os restantes 46%, nas etapas de processamento, distribuição e consumo.

Os países em desenvolvimento sofrem mais com as perdas durante a produção agrícola, enquanto o desperdício na distribuição e consumo é maior nas regiões de renda média e elevada. O maior desperdício de alimentos nas sociedades ricas resulta de uma combinação entre o comportamento do consumidor e a falta de comunicação ao longo da cadeia de abastecimento. Os consumidores compram em excesso ou descuidam das datas de validade dos produtos enquanto os padrões estéticos e de qualidade levam os distribuidores a rejeitar grandes quantidades de alimentos perfeitamente comestíveis.

Como resolver o problema? No caso dos excedentes, a melhor opção é a reutilização na cadeia alimentar humana, através de mercados secundários ou da doação à população carente. Se os alimentos não estão em condições para o consumo humano, a melhor opção é destiná-los para a alimentação animal. Quando a reutilização não é possível, o caminho é a reciclagem.

O fato de termos área em abundância, capacidade de produção agrícola e modernas tecnologias não nos autoriza a desperdiçar alimentos. Muito pelo contrário, exige maior consciência para produzi-los e no momento de consumir. A responsabilidade é de todos nós.

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