Em funeral armas!

Por fabiosaraiva

mario-sergio-duarteNão chega a ser sombria, mas é preocupante a projeção que imagino do número de policiais cariocas mortos no cumprimento da lei para o ano de 2013. Aliás, todo e qualquer prognóstico para uma categoria estatística dessas, que conclua por indução ou dedução a futura morte de um agente da lei, é sombrio e preocupante. Por probabilidade ou inferência, conhecer antecipadamente que, nos próximos três meses, cinco policiais deverão perder a vida durante o serviço não pode causar nenhum sentimento de ânimo ou conforto em quem se preocupa com segurança, violência e letalidade, apenas por haver sido maior no passado.

Penso que, com exceção daqueles que encontram gozo na morte de policiais, como os bandidos, ninguém lhes deseja um fim trágico, alcançado por um desses projéteis de guerra ainda abundantes no Rio de Janeiro, mesmo após o advento das UPPs e seus inegáveis benefícios para a tranquilidade pública. Até ontem, contabilizávamos (palavra terrível quando falamos de seres humanos que perderam a vida) 13 PMs mortos durante o trabalho. Se aplicarmos a média de cinco companheiros que morreram nos meses de outubro, novembro e dezembro dos últimos cinco anos, concluiremos que chegará a dezoito o número de mortos nas fileiras das instituições.

Então, me corrijo da inadequada expressão com a qual iniciei este texto ao declarar que a projeção para policiais mortos não chegava a ser “sombria”. É sombria, sim. Vida tem valor absoluto. Em qualquer hipótese, até para a legítima defesa, na guerra que seja, a interrupção da existência de alguém por mãos humanas é deplorável. Mesmo que a situação legal autorize uma morte, como nos autos de resistência envolvendo forças policiais, quando o agente é atacado, revida, e fere mortalmente um criminoso, isso não autoriza uma comemoração, uma premiação, como havia no passado naquela que ficou conhecida como gratificação faroeste.

É fato que estamos distantes daqueles números desesperadores de 2002 e 2003, quando atingimos 100 mortes contabilizadas; exatas cinquenta em cada. Tal situação não se avizinha repetir, mas infelizmente experimentamos um crescimento no ano passado, com 18 vidas ceifadas contra 12 de 2011. O fenômeno da redução parece ter estancado e agora a ameaça é de inversão da curva.

Desde que saí do Comando da PM, em 2011, não fui mais aos cemitérios enterrar os irmãos das armas legais, e espero ter errado em meus prognósticos até dezembro. Tudo que gostaria é de saber que nossos fuzis não mais se perfilarão em “funeral armas”.

O coronel Mário Sérgio Duarte, autor do livro “Liberdade Para o Alemão – O Resgate de Canudos”, escreve às quartas-feiras.

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