Que venha a primavera

Por fabiosaraiva

lizemara-pratesO clima é fator determinante na produção agrícola. Atinge lavouras e criações. Se as pastagens forem queimadas pela geada, faltará alimento natural para o gado. E este é o diferencial do chamado “boi verde” do pampa gaúcho que valoriza nossa carne no mercado internacional. Se houver clima muito rigoroso no inverno, as lavouras sofrerão perdas. No Rio Grande do Sul, o trigo é a mais vigiada. Afinal, junto com os paranaenses, somos responsáveis pela produção brasileira. O Paraná já está colhendo a safra 2013 que pode ter quebra de 1 milhão de toneladas por conta do frio extremo registrado em julho. Desde 2000, não ocorria frio tão intenso na região sul do Brasil. No Rio Grande, setembro é considerado o mês crítico para o trigo. Se houver geada ou chuva excessiva, haverá perda. Aqui, a colheita começa em outubro, com o forte concentrado em novembro e um saldo em dezembro. A previsão é que possamos mandar nosso grão para Estados como São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo, ocupando lugar do Paraná que terá falta de trigo para atender clientes tradicionais.

Mas, este cenário não mexe na tendência de alta no preço do pão, massas, biscoitos, farinha e demais derivados. O Brasil importa tradicionalmente metade do trigo consumido. E neste ano, está trazendo de países mais distantes como Estados Unidos e Canadá porque a Argentina está com exportações suspensas até dezembro para proteger o mercado interno devido à quebra na safra. O mesmo problema atingiu o Paraguai. Até dezembro, o quadro ficará inalterado. A entrada a pleno da safra do Mercosul vai auxiliar na virada do ano.

Por conta desta situação, a Camex (Câmara de Comércio Exterior) prorrogou para 30 de novembro deste ano o prazo para importação de trigo com tarifa zero, para uma cota adicional de 400 mil toneladas. Pela segunda vez, a isenção foi estendida com objetivo de conter a alta de preços. A medida atendeu a pedido das indústrias e desagradou produtores.

Por tudo isso, a torcida é pela chegada da primavera para garantir a boa safra de trigo no Estado e acelerar o plantio das lavouras de verão. O milho já começou a ser semeado. O feijão virá logo em seguida. Nos dois grãos, não somos autossuficientes. Arroz e soja ainda estão em fase de preparo do solo. Nessas culturas somos exportadores. A chuva do inverno foi excelente para abastecer barragens e açudes utilizados na irrigação do arroz. Agora, o tempo seco ajuda no trânsito das máquinas para preparar a terra e executar o plantio. É por tudo isso, que o ditado “um olho no céu e outro na terra” se aplica de forma permanente para o campo, considerado uma indústria a céu aberto.

Lizemara Prates é jornalista do Grupo Bandeirantes de Comunicação. Apresenta o AgroBand, na TV Band, e tem comentários diários sobre agronegócio na Rádio Bandeirantes e na BandNews FM.

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