Olho nos números. Ouvido nas notícias

Por Carolina Santos

mario-sergio-duarteO ano não tem sido bom para a Segurança Pública do Rio nos números. Mas estou apostando em melhoras até o fim de 2013. É bom esclarecer que estatísticas não são a única forma de analisar quadros de segurança. A segurança subjetiva, que é nada mais do que sensações da população acerca dos fenômenos da violência, com a hipótese de tornar-se vítima real dela, também é bastante considerada nas análises dos gestores dos serviços policiais para o planejamento de operações de combate ao crime.

Se os números da criminalidade nos transmitem a consistência do conhecimento científico, permitindo-nos a desconstrução de medos fantasiosos, injustificados, refutados por panoramas estatísticos favoráveis, isto já não acontece quando as informações seguem o critério dos boatos e dos comentários de esquina, passados de boca em boca. Como fundamento de conhecimento, os números são mais confiáveis e, por isso, deveriam impactar mais a nossa razão, verdadeira validadora dos critérios intelectuais da verdade.

Mas, aí, um paradoxo: o que realmente nos atemoriza não são as tabelas do ISP, cheias de “percentualizações” que pouco compreendemos. É a notícia terrível do assalto na porta do condomínio que ouvimos de Dona Maria, na padaria; é o assassinato estúpido e cruel contra quem tentou proteger seu carro, ou talvez sua família, algo ali pertinho da gente, em nosso bairro, conforme nos contou Seu João, no sacolão.

Este ano as coisas ainda não estão bem, admitamos, mas isto ainda não mexeu com nosso sentimento de medo. E Oxalá não o faça! Os homicídios voltaram a crescer. Entre abril e junho deste ano já se somam 1.201 contra 999 do mesmo trimestre de 2012. Os roubos de veículos aumentaram 11,4%, os roubos de transeuntes 14,3% e, os de celular, 20,1%. Somem-se a isso mais 9,4% dos roubos em coletivo e a classificação “roubo de rua” (transeunte+celular+coletivo) exibe um aumento de mais 2.215 eventos, ou seja, mais 14,3%. São os tais numerozinhos do ISP, aqueles que não nos assustam, mas são os mais importantes para orientar as estratégias da segurança.

É verdade que a responsabilidade pelo controle da criminalidade deve ser compartilhada pelas duas polícias, Militar e Civil. Mas, sem ofensa aos irmãos da PCERJ, minha aposta de que tudo melhora até o fim do ano está assentada na nova gestão da PM. Podem chamar a isto de etnocentrismo. Tudo bem! Para mim é tão somente um saudável otimismo.

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