'Você pode ser o próximo', afirma Sérgio Moro

Por André Mags - Metro Jornal Porto Alegre

Cruzar as pernas em frente ao corpo pode ser um sinal de proteção diante de algum incômodo com a exposição. Não foi o que fez ontem o juiz federal Sérgio Moro, que não se constrange diante dos holofotes. “A ministra Rosa Weber tem uma postura mais conservadora. Ela não fala com a imprensa. Ela está certa. Eu estou errado”, admitiu, para risos da plateia, em um dos dois eventos mais concorridos do 31o Fórum da Liberdade, na PUCRS – o outro foi à tarde, também com ele.

Para provar que estava à vontade, o magistrado da Justiça do Paraná passou o tempo todo com as pernas esticadas até o chão, cruzadas somente na altura do tornozelo, como se estivesse em casa. Ele falou sobre Operação Lava Jato, corrupção, STF, e evitou se fixar no caso da detenção do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Defendeu, porém, a prisão em segunda instância. “Vi muitos processos passarem por minhas mãos, com provas, para virarem pó por esperar o trânsito em julgado”, afirmou Moro, que se tornou juiz em 1996 e passou para a área criminal em 2002. A defesa de Lula, que foi preso em segunda instância, prega que ele só poderia ser detido após esgotados os recursos.

Moro demonstra orgulho da Lava Jato, que começou investigando propinas na Petrobras e depois se espalhou para campos não petrolíferos. Todavia, “é ilusão que a Operação Lava Jato vá acabar com a corrupção”, disse. A mensagem que ficou, no entender do juiz, é que há uma ideia de que “você pode ser o próximo”.

A decisão do STF de negar o habeas corpus preventivo a Lula, na semana passada, foi elogiada pelo juiz. Ele enalteceu o voto de Rosa Weber. “A ministra apelou para valores importantes. Se você consolida a jurisprudência, você não muda ao sabor do acaso.”

Moro comentou novamente sobre a imprensa quando foi questionado sobre as informações passadas a jornalistas. Ele admitiu que houve vazamentos ilegais na Lava Jato, ainda que não por suas mãos. Já as informações divulgadas para manter o processo público, ele considera fundamental para evitar que legisladores implicados tentem, por exemplo, criar leis para frear as investigações.

Protesto

À tarde, Moro voltou a palestrar no fórum. Ele reconheceu que muitos envolvidos em corrupção ainda estão soltos.

Moro voltou a defender a decisão do STF sobre o habeas corpus a Lula. Ressaltou, no entanto, a importância da decisão em si, e não pelo fato de ela se referir ao ex-presidente. “Presunção de inocência não pode se confundir com liberdade a poderosos.” Moro foi aplaudido. A seguir, o ex-promotor italiano Antonio di Pietro argumentou a favor  da normalidade. “Um país normal é quando ninguém precisa de aplauso quando cumpre o seu dever.”

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