Imprensa estrangeira vê decisão "explosiva" do STF e "fim da carreira política de Lula"

Para New York Times, decisão do STF 'vira de ponta cabeça a política do país'; Financial Times diz que ela 'deixa em aberto o que promete ser a eleição presidencial mais imprevisível da história' do Brasil.

Por BBC Brasil

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de negar o pedido de habeas corpus ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado por corrupção, foi destaque nesta quinta-feira em vários dos mais conhecidos jornais estrangeiros.

Para o diário britânico The Guardian, a decisão do STF "é um sério golpe para a sobrevivência política do primeiro presidente da classe trabalhadora do Brasil". A decisão é descrita como "um movimento que provavelmente encerra sua carreira política e aprofunda as divisões" verificadas no país desde o impeachment de sua sucessora, Dilma Rousseff, retirada do cargo, em 2016, "em meio a escândalos de corrupção e a uma crise econômica".

A votação do STF, afirma ainda o Guardian, "marca uma extraordinária reviravolta de eventos para o político mais popular do Brasil", que deixou a presidência após dois mandatos com taxa de aprovação superior a 80% e cujas políticas sociais ajudaram a tirar milhões de pessoas da pobreza.

Em outro artigo na edição desta quinta, intitulado "Brasileiros ainda gostam muito de Lula, apesar da condenação por corrupção", o correspondente do jornal no Rio de Janeiro, Dom Phillips, diz que "muitos brasileiros mais pobres dizem que se Lula esteve envolvido em corrupção, foi em menor escala do que outros políticos, e que ele fez mais para os menos favorecidos do que qualquer outra pessoa".

O também britânico Financial Times, principal jornal de economia e finanças da Europa, chama a decisão do STF de "histórica", "marcada para aumentar ainda mais a divisão no maior país da América Latina", e que ela "deixa em aberto o que promete ser a eleição presidencial mais imprevisível da história" do país.

Para o jornal americano The New York Times a decisão do STF é "explosiva", "vira de ponta cabeça a política do país e parece anular a tentativa de Lula de voltar ao poder".

O também americano The Washington Post, destaca que Lula "deve ser preso antes de apelar à condenação por corrupção, o que efetivamente extingue a carreira de 40 anos de um dos políticos mais influentes da história recente brasileira".

Destaque

O portal de notícias argentino Clarín diz que a rejeição do habeas corpus é um ingrediente adicionado "a um país dividido em dois blocos irreconciliáveis, com eleições em apenas 7 meses que naufragam em incerteza".

Alguns jornais também deram destaque à polêmica causada por mensagens nas redes sociais do general Eduardo Villas Boas, comandante do Exército, postadas em sua conta no Twitter às vésperas do julgamento do STF.

Numa das postagens, Villas Bôas diz que o Exército repudia "a impunidade" e está atento "atento às suas missões institucionais", sem detalhar o que queria dizer.

Para o Clarin, as declarações trouxeram à tona "uma situação antiga, a possibilidade de um eventual golpe militar. Foi apenas insinuado, mas por ninguém menos que pelo comandante do Exército".

O New York Times diz que "em um país que foi governado pelos militares de 1964 a 1985, os críticos reagiram com alarme, chamando o comentário de pressão inadequada na melhor das hipóteses e, na pior das hipóteses, uma ameaça velada de intervenção militar se o ex-presidente tivesse êxito no tribunal".

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