Correios entram em greve por todo o país contra a privatização

Por Bruno Bucis/Metro Brasília

Os funcionários ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos) começam hoje uma paralisação por tempo indeterminado. A decisão de cruzar os braços foi tomada em assembleias na última sexta-feira e deve se estender por todo o país.

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Os trabalhadores da estatal acusam o governo de promover um “desmonte”, como publicado em nota da Findect (Federação Interestadual de Sindicatos dos Correios). A paralisação também é apoiada pela Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores dos Correios), que classifica o momento atual como de “retiradas de direitos e desvalorização do trabalhador”.

O principal gatilho da greve é a tentativa de implementar o pagamento de mensalidades para uso do plano de saúde da estatal, que chegariam a até R$ 900. “A proposta abrange também que o trabalhador pague até 30% em cima de procedimentos e consultas”, disse a presidenta do Sintect-DF (Sindicato dos Trabalhadores dos Correios do DF), Amanda Corcino.

A última paralisação, entre setembro e outubro do ano passado, foi motivada também por essas alterações.

Está marcado para hoje o julgamento das mudanças no plano de saúde da categoria, que será realizado às 13h30, no TST (Tribunal Superior do Trabalho). Os trabalhadores em greve prometem se manifestar na sede do tribunal.

Além dos planos de saúde, os trabalhadores apresentam outras queixas, como a extinção de cargos internos e o fechamento de agências – na semana passada, a ECT havia anunciado que encerraria atividades em 250 unidades. Os grevistas também pedem que sejam realizados novos concursos públicos, já que não são contratados novos funcionários desde 2011.

Outro lado

Os Correios divulgaram nota afirmando que “a greve é um direito do trabalhador”, mas que neste caso só aprofunda mais a crise econômica pela qual a empresa passa.
Os balanços da ECT apontam que a empresa acumulou aproximadamente R$ 6 bilhões de prejuízo entre 2015 e 2017.

Segundo a nota, a posição dos Correios em relação ao pagamento de mensalidades para manter o plano de saúde é irredutível.

“A empresa aguarda uma decisão conclusiva por parte do TST para tomar as medidas necessárias, mas ressalta que já não consegue sustentar as condições do plano, concedidas no auge do monopólio, quando os Correios tinham capacidade financeira para arcar com esses custos”, afirma a nota.

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