Suplicy confirma candidatura ao Senado e admite que PT precisa reconhecer erros

Por Band.com.br

Eduardo Suplicy confirmou com exclusividade ao Portal da Band que será candidato pelo PT ao Senado nas Eleições de outubro, apesar do desejo do partido de que ele se candidatasse a deputado federal para fortalecer a bancada. Ele tentará exercer o quarto mandato em Brasília como senador. Atual vereador por São Paulo, o político de 76 anos ainda admitiu que o PT precisa “reconhecer os erros” para se renovar.

Sobre a condenação de Luiz Inácio Lula da Silva em segunda instância pelo TRF4 (Tribunal Regional Federal da 4ª região) de Porto Alegre, por corrupção passiva no caso do tríplex do Guarujá, Suplicy afirmou que é preciso garantir “o mais amplo direito de defesa” ao ex-presidente, até a última instância.

Suplicy acredita que a ausência de Lula nas Eleições de outubro poderá gerar um sentimento de “frustração” na sociedade, visto que ele aparece como líder das últimas pesquisas sobre intenção de voto.

Por ter sido condenado na segunda instância, Lula pode ser barrado pela Lei da Ficha Limpa, que impede que “candidatos condenados” disputem cargos. Suplicy afirmou que a lei “tem de ser considerada” e que a mesma foi sancionada pela ex-presidente Dilma Rousseff. Confira a entrevista abaixo.

Portal da Band – É possível afirmar que o senhor irá disputar as Eleições para o Senado?
Eduardo Suplicy – Fui eleito senador em 1990, 1998 e 2006, sempre com votação crescente. Mas em 2014 aconteceu um verdadeiro tsunami contra o PT em São Paulo, haja visto que a presidente Dilma [Rousseff] teve apenas 25% dos votos. Mesmo assim, eu tive 32,5%, mas não foi suficiente. Fiz parte do governo [Fernando] Haddad na prefeitura de São Paulo, na Secretaria de Direitos Humanos, e depois me candidatei a vereador em 2016, tendo um recorde de votação [301.446 votos]. Estou realizando um trabalho muito interessante com os vereadores, com o próprio prefeito [João Doria-PSDB], mesmo sendo de oposição, sempre com muito respeito. Tenho perguntado para as pessoas o que acham, se devo ser candidato em 2018 ou ficar até o final como vereador, em 2020. A maioria que tenho consultado tem falado sobre me candidatar a governador, a presidente e ao Senado. A grande maioria e a própria direção do partido com o Luiz Marinho [presidente do PT em São Paulo] e o presidente Lula me disseram que eu poderia ser candidato em 2018 a deputado federal, para fortalecer a bancada, ou, se fosse do meu desejo, ao Senado. Tem uma canção que diz: ‘levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima’… Com muito respeito, avalio minha contribuição em eleições passadas como senador e acredito que ainda tenho metas a cumprir para ajudar a fazer do Brasil uma nação justa.

O senhor comentou de pessoas dentro do PT sugerindo o seu nome para a Presidência. Acha viável uma candidatura, caso Lula realmente seja impedido pela Ficha Limpa?
No presente momento, todos nós do partido consideramos que o candidato, que já foi oficialmente lançado [em 25 de janeiro], é o Lula. Sei que têm sido aventados nomes, como do Haddad e do Jaques Wagner também. São pessoas que respeito muito e que também poderei apoiar com entusiasmo. Mas eles próprios também têm dito que, agora, não podemos estar propondo alternativas. Temos de esperar e confiar que o presidente Lula apresente sua defesa até o Supremo e torcendo para que ele possa ser inocentado. Ele garante que não cometeu qualquer ato ilícito.

Há uma corrente grande no PT que defende que Lula está sofrendo perseguição…
Eu acho muito importante que se garanta ao Lula os seus mais completos direitos de defesa. Observamos no julgamento do TRF4 de Porto Alegre por 10 horas os desembargadores e o Ministério Público apresentando denúncias. A defesa do Lula teve somente 15 minutos. Espero que o julgamento do presidente ao chegar ao STF possa ter a mais completa oportunidade para que ele possa expor seus argumentos.

Também há uma linha grande dentro do PT que afirma que a não participação de Lula nas Eleições seria contra a democracia. Mas não seria ir, também, contra a Lei da Ficha Limpa, que foi criada para proteger a própria população?
A Lei da Ficha Limpa foi votada na ocasião em que eu era senador, e sancionada pela presidente Dilma. É uma lei que precisa ser considerada, todavia, eu acho que as situações que estamos vivendo hoje são de enorme vontade do grande povo brasileiro, que se dê a oportunidade ao presidente Lula de efetivamente provar a sua inocência de uma forma mais ampla possível. O que mais importa na nossa nação é a soberania do povo brasileiro, reconhecendo que o Lula tem hoje uma preferência de 35%, segundo as pesquisas. É importante garantir através do Tribunal Superior Eleitoral e do próprio STF o direito de defesa ao Lula. Por enquanto, ele está com o direito de recorrer da decisão do TRF4.

Diferente de muitas figuras do PT, o senhor é respeitado não só por quem se considera de esquerda, mas na ala centro-direita. Não é a hora do PT reconhecer os erros e seguir a sua linha, visto que o senhor passou imune por esses escândalos?
Acredito que sim. Acho que o Partido dos Trabalhadores precisa reconhecer que houve erros cometidos. Às vezes me perguntam: ‘apesar de tudo, você ainda continua no partido? ’. Quando estamos numa organização com mais de 1,8 milhão de filiados, alguns cometem erros, por vezes graves, até de enriquecimento ilícito. Nosso dever é tomar iniciativas para prevenir e corrigir os erros, agirmos da maneira mais correta possível, com total transparência. Eu sou um dos fundadores do PT. Muito batalhei para que não houvessem mais contribuições de pessoas jurídicas. Felizmente, isso agora não vai mais existir. É um passo muito saudável. Eu também apresentei um projeto de que toda e qualquer contribuição, seja física ou jurídica, deveria ser registrada em tempo real na página do candidato. Numa campanha, se estiver na página que ele obteve X reais de contribuição, mas gastou cinco vezes mais, isso chamará a atenção e haverá ações para coibir.

O Lula fora da disputa favorece a candidatura de Jair Bolsonaro?
Eu acho que em todo partido, as pessoas podem e têm o direito de se candidatar. Eu pessoalmente avalio que o Bolsonaro tem uma plataforma que atende uma parcela minoritária que defende ações até mesmo da época da ditadura militar. Eu discordo inteiramente disso. Se não for dado o amplo direito de defesa ao Lula, e ele não se candidatar, isso causará uma enorme frustração no povo brasileiro.

E sobre a possibilidade de termos o apresentador Luciano Huck na disputa?
Sobre o Huck, do ponto de vista das ideias e projetos dele, eu sinceramente não conheço. É direito dele se candidatar se algum partido quiser.

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