Centrão ‘prepara’ ministros de olho em saída do PSDB

Por Marcelo Freitas/Metro Brasília
Shannon Stapleton/Reuter
Centrão ‘prepara’ ministros de olho em saída do PSDB

A sinalização até da ala governista do PSDB pró-rompimento com o governo deve ser decisiva para o presidente Michel Temer (PMDB) antecipar a reforma ministerial. O Centrão, grupo com cerca de 200 deputados de partidos médios como PP, PR e PTB, acredita ser natural ocupar os ministérios  com o desembarque tucano.

Neste último sábado (11), o presidente licenciado do PSDB, senador Aécio Neves (MG), declarou: “Há um convencimento de todos nós de que está chegando o momento de nossa saída. Sairemos pela porta da frente, da mesma forma como entramos. Nosso apoio é em torno da agenda de reformas”, afirmou o senador,  que na semana passada provocou racha ao retirar da presidência interina do partido o senador Tasso Jereissati (CE).

Nesta segunda-feira (13), sem os votos necessários, Temer tende ceder pelo menos dois dos quatro ministérios ocupado pelo PSDB para os aliados considerados estratégicos para atingir os 308 votos para a aprovação da reforma da Previdência na Câmara até dezembro.

Os tucanos têm os seguintes ministros: Bruno Araújo (Cidades), Aloysio Nunes (Relações Exteriores); Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo); e Luislinda Valois (Direitos Humanos).

O Centrão não esconde desejar a Secretaria de governo e o Ministério das Cidades e, inclusive, já escolheu os indicados: Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) e André Moura (PSC-SE), respectivamente. Nos corredores do Congresso já são tratados como “ministros”.

Temer gostaria de fazer mudanças na Esplanada apenas em abril, quando 18 dos  28 ministros precisam deixar os cargos para concorrer nas eleições de outubro. Pressionado, chegou a cogitar antecipar para janeiro.

O grupo, porém, ameaça obstruir as votações de medidas provisórias que perdem a validade no fim do mês, como a que cria novas regras para o setor de mineração e da renegociação das dívidas rurais.

Novo PMDB
Temer, porém, vai precisar conter uma insatisfação de última hora vinda do próprio PMDB. Os peemedebistas têm feito chegar ao gabinete presidencial que querem voltar à articulação política em caso de saída do PSDB, como forma de promoção da reformulação partidária. O cargo pertencia a Geddel Vieira Lima – hoje preso – quando foi transferido para Imbassahy. Uma das ideias é que Eliseu Padilha (Casa Civil) acumule cargo ou seja indicado novo ministro do partido.

O PMDB prepara para voltar a se chamar MDB, mudança que será oficializada na reunião da Executiva Nacional do partido, adiada duas vezes, e ainda sem uma nova data.

Terceira via
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), admitiu ontem disputar a presidência do PSDB como uma “solução pacificadora”. Até agora, Tasso e o governador de Goiás, Marconi Perillo, oficializaram candidatura para a eleição marcada para 9 de dezembro. Presidente interino do partido, Alberto Goldman promete consultar os líderes para discutir a saída do governo. “Não temos caciques e coronéis, temos líderes.”

Congresso tem feriado prolongado
Nenhum dos 513 deputados está obrigado a comparecer em Brasília esta semana. A Câmara decidiu não fazer sessões de votação nos próximos dias, o que, na prática, significa: nada de falta e desconto nos salários de R$ 33,7 mil por mês.

Por causa do feriado da Proclamação da República, na quarta-feira, o plenário estará aberto apenas para debates dos parlamentares. As votações de projetos e negociação das reformas tributárias e da Previdência ficarão para a próxima semana.

O Senado decidiu não dar recesso aos 81 senadores, mas marcou apenas uma sessão deliberativa, amanhã. Não haverá, porém, votação de temas polêmicos.  METRO brasília

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