Em 8 anos, Odebrecht pagou R$ 10,6 bilhões em propinas

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Ação penal que envolve a Odebrecht  | Rodrigo Paiva/Reuters Vídeos das delações da Odebrecht escancararam o sistema de propina na empresa | Rodrigo Paiva/Reuters

Os vídeos das delações da Odebrecht revelados nesta quarta-feira escancararam como funcionava o esquema de pagamentos ilegais feitos pelo Setor de Operações Estruturadas – como era conhecido o departamento de propina da empreiteira. O ex-executivo Hilberto Mascarenhas relatou em depoimento que, entre 2006 e 2014, saíram do setor de propinas US$ 3,4 bilhões (cerca de R$ 10,6 bilhões).

Os pagamentos, segundo ele, foram feitos por meio de transferências para contas no exterior ou em dinheiro para doleiros ou empresas. Ele afirmou ter sido chamado por Marcelo Odebrecht para assumir a área de propinas e teria a princípio rejeitado, e recuado após a oferta de bom salário, apartamento em São Paulo, motorista e passagens para visitar a família em Salvador. “Bem como sabia que se não aceitasse seria colocado na ‘geladeira’, ou seja, ficaria ‘escanteado’, sem função específica e depois de um tempo seria demitido”, contou.

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‘3/4 eram caixa 2’
Marcelo Odebrecht, ex-presidente da construtora, estima que 3/4 das doações às campanhas eleitorais foram abastecidos com dinheiro não declarado ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

“A gente achava natural o caixa dois. Virou quase um círculo vicioso. Se um deputado, senador ou governador quisesse colocar tudo oficial  ia ter uma diferença muito grande”, relatou. “Muitas vezes tinha candidatos, digamos assim, honestos, que usavam o caixa dois por uma questão dessa. E tinha candidatos desonestos que recebiam no caixa um, propina.”

Doações organizadas
O ex-executivo Benedicto Junior afirmou ter sido responsável por organizar as doações com outras empresas, via caixa dois. “Consolidei a lista e levei para uma discussão com presidentes de outras empresas, que também iriam fazer doações, para não haver duplicidade”, disse.

Obras
Benedicto fez ainda uma lista de obras que tiveram ilegalidades, incluindo os estádios Arena Corinthians, Maracanã e Castelão; o Rodoanel de São Paulo; e o Porto Maravilha, no Rio de Janeiro, por exemplo.

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