Lojas Renner são investigadas por trabalho escravo

Por Carolina Santos
| Reprodução/Google Street View Renner está sendo investigada por trabalho escravo | Reprodução/Google Street View

Trabalhadores que produziam para as Lojas Renner foram flagrados em condições análogas a de escravidão pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Segundo as investigações, mais de 30 bolivianos que atuavam como costureiros para empresas que forneciam as roupas para a rede de lojas viviam em alojamentos degradantes e cumpriam longas jornadas de trabalho.

As investigações se estenderam por três meses e tiveram o apoio do Ministério Público do Trabalho e da Defensoria da União. No início da tarde desta sexta-feira, as informações sobre a operação e os autos de infração aplicados à loja Renner serão detalhados em uma coletiva de imprensa.

Segundo a ONG Repórter Brasil, que acompanhou a inspeção ao alojamento, os bolivianos trabalhavam em uma oficina de costura no bairro Jardim Labiraty, periferia que fica no extremo norte de São Paulo. Parte deles era submetida ao trabalho por dívida. Entre os trabalhadores resgatados havia 21 homens, 15 mulheres e uma adolescente.

Ainda de acordo com a ONG, os trabalhadores recebiam por peça de R$ 0,30 a R$ 1,80. Eles trabalhavam das 7h às 21h, com intervalo apenas para o almoço, e tinham descontados do pagamento valores referentes ao alojamento e à alimentação – o que não é permitido pela legislação brasileira.

Os trabalhadores bolivianos costuravam para quatro linhas de roupas das lojas Renner.

Em nota, a Renner diz que foi notificada sobre a fiscalização no dia 11 de novembro e desde lá “se colocou ao lado do Ministério do TRabalho e Emprego para garantir o cumprimento das leis trabalhistas”. A empresa respondeu ainda que “não compactua e repudia a utilização de mão de obra irregular em qualquer etapa da produção dos itens que comercializa”.

Veja a nota na íntegra:
Em relação à ação do Ministério do Trabalho e Emprego, em conjunto com o Ministério Público do Trabalho, sobre irregularidades apuradas na Oficina de Costura Letícia Paniágua Verdugues, a Lojas Renner esclarece que:
1- Em 11 de novembro, a Companhia foi notificada de fiscalização na Oficina de Costura Letícia Paniágua Verdugues e se colocou ao lado do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) para garantir o cumprimento das leis trabalhistas. A Lojas Renner não compactua e repudia a utilização de mão-de-obra irregular em qualquer etapa de produção dos itens que comercializa.
2- As situações apontadas pelo MTE indicam que a Oficina de Costura Letícia Paniágua Verdugues, contratada por dois fornecedores da Lojas Renner – as indústrias têxteis nacionais Kabriolli e Betilha –, teria descumprido as leis trabalhistas.
3- Todos os fornecedores da Companhia assinam contratos em que se comprometem a cumprir a legislação trabalhista vigente, bem como um Termo de Compromisso e Conduta Responsável que proíbe qualquer tipo de violação aos dispositivos legais.
4- Toda a cadeia produtiva é fiscalizada através da certificação da Abvtex (Associação Brasileira do Varejo Têxtil), neste caso por meio da Bureau Veritas (empresa internacionalmente reconhecida) que audita de forma detalhada as condições de trabalho. A Lojas Renner, signatária do Pacto de Erradicação do Trabalho Escravo e Pacto Global em 2013, não admite falhas na fiscalização e está revisando e aperfeiçoando o processo de auditoria e certificação de fornecedores.
5- A Lojas Renner, no próprio dia 11 de novembro, notificou os fornecedores para regularização imediata da situação trabalhista dos empregados fiscalizados pelo MTE.
6 – A Oficina Leticia Paniagua compareceu ao MTE, deu baixa em todas as Carteiras de Trabalho, pagou as verbas rescisórias e liberou o FGTS dos seus empregados. As indústrias Kabriolli e Betilha descredenciaram a oficina contratada Leticia Paniagua e firmaram Termo de Ajustamento de Conduta com o Ministério Público do Trabalho, garantindo a admissão destes trabalhadores em suas operações, com pagamento das indenizações trabalhistas fixadas pelo MTE.
7- Estes fatos contrariam frontalmente os valores empresariais da Lojas Renner, que manifesta a sua total indignação com essas ocorrências, uma vez que não aceita e não tolera nenhuma situação de precarização do ambiente de trabalho de seus fornecedores. A Companhia se mantém à disposição do Ministério do Trabalho e Emprego e do Ministério Público do Trabalho.
​Lojas Renner S.A.

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