Polícia Federal desvenda fraude em terras da reforma agrária

Por Tercio Braga
Operação contou com 350 policiais federais | Divulgação/DPF Operação contou com 350 policiais federais | Divulgação/DPF

A PF (Polícia Federal) deflagrou ontem a Operação Terra Prometida que revelou ontem um esquema bilionário de concessão e manutenção ilegal de terras públicas destinadas à reforma agrária. Pelo menos 30 pessoas foram presas em cidades do Mato Grosso.

Ao todo, 52 acusados tiveram mandado de prisão. Na lista estão os irmãos do ministro da Agricultura, Neri Geller. Os empresários Odair e Milton – atual secretário-adjunto de Desenvolvimento Rural e Agricultura Familiar de Mato Grosso – foram procurados em casa, na cidade de Lucas do Rio Verde (MT), mas não foram localizados. Eles prometiam se entregar, o que não ocorreu até as 22 horas de ontem.

Fraude agrária

Segundo a investigação, que começou em 2010, empresários e fazendeiros coagiam trabalhadores rurais a venderem a preços baixos ou abandonarem os lotes obtidos legalmente. Em alguns casos, porém, a propriedade era invadida. A quadrilha contava com a apoio de servidores do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), sindicatos rurais e funcionários públicos que avalizavam documentação falsa e vistorias fraudadas. Com os documentos, os criminosos conseguiam registrar a propriedade no Sistema de Informações de Projetos de Reforma Agrária. Com isso, empresas de agronegócio e até multinacionais poderiam ocupar a terra.

A investigação aponta que 1.150 lotes teriam sido fraudados, cada um avaliado em até R$ 1 milhão.

Além das prisões, a PF cumpriu 146 mandados de busca e apreensão em cidades do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.

Se condenados, os acusados responderão por crimes ambientais, falsidade documental, estelionato e corrupção com pena de até 12 anos de prisão. 

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