Último foragido da Lava Jato, Negromonte Filho se entrega à Polícia Federal

Por Carolina Santos
Adarico Negromonte se apresentou na Superintência da PF em Curitiba na manhã desta segunda | Zanone Fraissat/Folhapress Adarico Negromonte se apresentou na Superintência da PF em Curitiba na manhã desta segunda | Zanone Fraissat/Folhapress

Único investigado que estava foragido, Adarico Negromonte Filho, irmão do ex-ministro das Cidades Mário Negromonte, se entregou à Polícia Federal por volta das 11 horas da manhã desta segunda-feira. Ele chegou acompanhado de duas advogadas e não falou com a imprensa. A Polícia Federal ainda não informou quando ocorrerá o interrogatório de Adarico Negromonte Filho. Ele teve a prisão decretada no dia 14 de novembro, quando foi deflagrada a sétima fase da Operação Lava Jato.

Também estão detidos na carceragem da Polícia Federal o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, executivos de empresas supostamente envolvidas no esquema de corrupção, o lobista Fernando Baiano e o doleiro Youssef – detido na fase anterior de investigações e que firmou acordo de delação premiada.

Segundo as investigações, Negromonte Filho trabalhava junto com o doleiro Alberto Youssef. Ele teria como função entregar o dinheiro que era pago como propina pelas empresas para os políticos envolvidos no esquema de corrupção da Petrobras.

A Lava Jato acusa empreiteiras de formação de cartel. Os executivos combinavam quais as empresas participariam das licitações e concorriam aos processos com os preços máximos permitidos. Em troca da garantia do contrato, os executivos pagavam propina a diretores e agentes políticos.

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Em depoimento, o doleiro Alberto Youssef afirmou que os executivos registravam em ata os valores que seriam distribuídos. Ele disse que os acertos do repasse de propina eram feitos em reuniões no prédio de uma empresa fantasma, a GFD, localizada na zona sul de São Paulo.

Neste sábado, a Justiça Federal determinou a quebra de sigilo de quatro empresas controladas por Youssef. A determinação do juiz Sérgio Moro pretende rastrear o dinheiro que pode ter sido desviado da Petrobras para pagar propina a empreiteiras. Devem ser investigadas as movimentações nas contas das empresas GFD Investimentos, Empreiteira Rigidez, RCI Software e MO Consultoria.

Alberto Youssef e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa fizeram um acordo de delação premiada. Eles se comprometeram em detalhar o esquema de corrupção da Petrobras e a pagar multa em troca de redução da pena, caso sejam condenados.

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