Governador de Rondônia é alvo de investigação da PF

Por Tercio Braga
Confúcio Moura foi conduzido pela Polícia Federal para prestar depoimento na manhã desta quinta / Reprodução / Facebook Confúcio Moura foi conduzido pela Polícia Federal para prestar depoimento na manhã desta quinta / Reprodução / Facebook

O governador reeleito de Rondônia, Confúcio Moura (PMDB), foi surpreendido logo no início da manhã desta quinta-feira por uma batida da Polícia Federal em sua casa, em um bairro nobre da capital, Porto Velho. Os policiais fizeram buscas e apreenderam documentos e computadores na residência de Moura, na sede do governo do Estado e em empresas suspeitas de participação em um esquema de fraude em licitações que pode ter começado em 2010.

Moura foi levado para depor na sede da PF e quatro pessoas foram presas, incluindo um ex-secretário de Estado, um delegado e um cunhado do governador, apontado como um dos chefes da organização – que, de acordo com a PF, movimentava R$ 2 milhões por mês.

Iniciadas em 2012, as investigações indicam que havia um grande esquema de fraudes no fechamento de contratos públicos em Rondônia.

Para se tornarem fornecedores do governo, segundo a PF, empresários eram obrigados a repassar recursos,  formal ou informalmente, para financiar campanhas eleitorais. Em alguns casos, nem sequer era feita licitação para a contratação de serviços. Quando havia concorrência, ela era fraudada.

Recursos federais

Foram encontrados indícios de irregularidades em contratos de fornecimento de alimentação a hospitais e presídios, serviço de vigilância em escolas, contratação de agências de publicidade e na construção de uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento), que contou com recursos federais. No total, os contratos sob suspeita superam R$ 290 milhões.

Os mandados judiciais foram cumpridos, além de em Rondônia, no Amazonas, na Bahia, em Goiás, no Pará, no Rio de Janeiro, em São Paulo, em Sergipe e no Distrito Federal, onde foi preso um assessor de Confúcio Moura.

Em Goiás, o empresário do setor farmacêutico Marcelo Reis Perillo, primo do governador Marconi Perillo (PSDB), foi um dos ouvidos pela PF. Ele foi liberado após o depoimento, mas não foi encontrado pela reportagem para comentar a investigação.

De acordo com a PF, os envolvidos deverão ser indiciados por crimes como organização criminosa, fraudes em licitações, concussão e corrupção ativa e passiva.

Apoio às investigações

Em nota divulgada após o depoimento, Confúcio Moura disse que “apoia integralmente qualquer iniciativa que tenha por fim combater eventuais crimes ao erário”, e que “não compactua com ações criminosas” e que “agentes públicos que forem considerados culpados pela Justiça devem receber punição exemplar”.

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