Executivos investigados na Lava Jato podem ter esvaziado contas bancárias

Por Carolina Santos
Fernando Baiano passou por exames de corpo de delito no Instituto Médico Legal de Curitiba | Geraldo Bubniak/AGB/Folhapress Fernando Baiano pode ter esvaziado sua conta bancária | Geraldo Bubniak/AGB/Folhapress

Pelo menos seis investigados na Operação Lava Jato podem ter esvaziado as contas bancárias antes de a Justiça determinar o bloqueio do dinheiro. A determinação era direcionada a 16 pessoas e a retenção seria de R$ 20 milhões para cada uma delas.

Segundo ofício encaminhado pelo Banco Itaú à Justiça Federal, não havia valores a serem bloqueados nas contas do lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano e apontado como operador do PMDB no esquema da Petrobras; nem de Walmir Pinheiro Santana, da UTC Participações S.A.; e de Valdir Lima Carreiro, presidente da Iesa Óleo e Gás. As informações são do jornal O Globo.

Na conta de Ildefonso Colares Filho, ex-presidente da Queiroz Galvão, foram bloqueados somente R$ 4,6, de acordo com a publicação. Na conta de Agenor Franklin Magalhães Medeiros, executivo da construtora OAS, havia R$ 6 mil e na de Sérgio Cunha Mendes, da Engevix, R$ 33 mil. Já da conta de Gerson Almada, sócio da Engevix, foram bloqueados mais de R$ 1 milhão.

Também não havia saldo entre os que mantinham conta corrente no Banco Caixa Geral do Brasil. Dalton dos Santos Avancine, presidente da Camargo Corrêa, e João Ricardo Auler, presidente do conselho de administração da empreiteira, estavam com as contas zeradas.

Leia também:
Juiz autoriza compartilhamento de dados de investigados na Lava Jato com órgãos de controle

José Aldemario Pinheiro Filho, da OAS, tinha conta no mesmo banco, mas também não foram encontrados valores a serem retidos.

As duas instituições foram as primeiras a atender a determinação da Justiça Federal. Nesta semana, o Ministério Público Federal solicitou a colaboração de autoridades da Suiça para reter valores das contas do doleiro Alberto Youssef e do ex-presidente de Serviços da Petrobras Renato Duque.

O ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa teve R$ 23 milhões retidos nas contas que mantinha no exterior. Além dele, Pedro Barusco, gerente da Petrobras ligado à diretoria de Renato Duque negociou a devolução de 100 milhões de dólares.

Depoimentos

Permanecem presos na carceragem da Superintendência da Polícia Federal no Paraná 13 investigados. Entre eles, Renato Duque, Fernando Baiano e executivos de empresas que têm contrato com a Petrobras.

Ainda não foram divulgados os depoimentos que serão colhidos nesta quinta-feira. O mais esperado é o de Fernando Baiano. Ele estava foragido desde a última sexta-feira, quando foi deflagrada a sétima fase da operação Lava Jato, e se entregou à políca na terça. O lobista seria ouvido nessa quarta-feira, mas o interrogatório acabou sendo adiando para sexta-feira.

Segundo as investigações, as empreiteiras são acusadas de formação de cartel. Os executivos combinavam quem participaria das licitações para executar as obras da estatal e concorriam aos processos com os valores máximos permitidos. Em troca da garantia dos contratos pagavam propina a diretores da Petrobras e pessoas ligadas a partidos políticos.

Conteúdo Patrocinado
Loading...
Revisa el siguiente artículo