Justiça pede quebra do sigilo bancário de 16 presos na operação Lava Jato

Por Carolina Santos
Presos na operação Lava Jato chegam à sede da PF em Curitiba | Avener Prado/Folhapress Presos na operação Lava Jato chegam à sede da PF em Curitiba | Avener Prado/Folhapress

O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelo processo da Operação Lava Jato, decretou a quebra dos sigilos bancários de 16 dos 25 suspeitos que tiveram a prisão decretada na sexta-feira.

Entre eles estão o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque e o lobista Fernando Falcão Soares, o Fernando ‘Baiano’, que se entregou à Polícia Federal ontem, em Curitiba.

A lista ainda é composta por executivos de empreiteiras.

O juiz ordenou ao Banco Central que levante dados sobre contas, investimentos e outros ativos e disponibilize extratos consolidados de 5 a 18 de novembro deste ano.

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Além dos investigados, três empresas que até agora não haviam sido citadas na investigação também tiveram seus sigilos quebrados: Technis Planejamento e Gestão em Negócios, Hawk Eyes Administração de Bens e D3TM – Consultoria e Participações.

Os suspeitos presos já tiveram R$ 720 milhões em bens e contas bancárias bloqueados pela Justiça, com um limite de R$ 20 milhões cada. As contas das empreiteiras ainda não foram alvo de ações judiciais.

A Operação Lava Jato investiga um esquema que teria movimentado cerca de R$ 10 bilhões, desviando recursos da Petrobras. As empresas investigadas mantêm contratos com a Petrobras que somam R$ 59 bilhões.

Operação da PF vazou; seis têm prisão decretada 

O ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque e outros cinco investigados na Operação Lava Jato tiveram a prisão temporária convertida para preventiva pelo juiz federal Sérgio Moro. Outros 13 suspeitos tiveram a soltura autorizada.

Além de Duque, que até agora não mostrou interesse em fazer acordo de delação premiada com a Justiça, executivos das empresas OAS (José Aldemário Pinheiro Filho, presidente, e Mateus Coutinho Sá Oliveira, funcionário); Camargo Corrêa (Dalton Santos Avancini, presidente, e João Ricardo Auler, presidente do Conselho de Administração); e UTC (Ricardo Ribeiro Pessoa, presidente) foram mantidos presos pelo juiz, que vê chances de fuga caso eles sejam soltos.

A PF e o advogado de um dos suspeitos revelaram que a sétima fase da operação Lava Jato já era conhecida antes de sua deflagração, na madrugada de sexta-feira. No documento que enviou ao juiz pedindo a manutenção das prisões, o delegado Márcio Anselmo informou que quando os agentes chegaram na sede da OAS, às 5h30 da manhã para cumprir o mandado de busca e apreensão de documentos e computadores, já encontraram três advogados da empresa.

Já a defesa do vice-presidente da Engevix, Gerson Almada, usou como justificativa do pedido de liberdade mensagem que o suspeito recebeu de um de seus advogados na noite anterior à operação, dando conta de “boatos” de que a PF agiria. Segundo a defesa, Almada não tentou fugir. O argumento, porém, não foi aceito pela Justiça, que negou o pedido habeas corpus. 

Lobista ligado ao PMDB se entrega à PF em Curitiba

O lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, se entregou ontem à PF (Polícia Federal), em Curitiba.

Acusado por delatores de cobrar propina em nome do PMDB, Baiano estava foragido desde que a operação da PF foi deflagrada, na sexta-feira.

Para a PF, Baiano é suspeito de ser o elo entre o PMDB e a Petrobras. Segundo o seu advogado, Mario de Oliveira Filho, Baiano está sendo  usado como “bode expiatório” da Operação Lava Jato. Para ele, sua prisão não faz sentido. “Ele vinha colaborando, estava intimado, se apresentou espontaneamente duas vezes por petição”, afirmou.

Com a prisão de Soares, o único foragido passa a ser Adarico Negromonte Filho, irmão do ex-ministro das Cidades Mário Negromonte (PP-BA), apontado como colaborador do doleiro Alberto Youssef.  

Veja quem teve o sigilo quebrado pela justiça

• Erton Medeiros Fonseca.
Presidente da Galvão Engenharia.

• Renato de Souza Duque.
Ex-diretor de Serviços da Petrobras.

• Ildefonso Colares Filho.
Ex-diretor da Queiroz Galvão.

• Othon Zanoide.
Diretor de empresa do grupo Queiroz Galvão.

• Fernando Soares.
Lobista.

• Valdir Carreiro.
Presidente da Iesa.

• Dalton Avancini.
Presidente da Camargo Corrêa.

• Walmir Santana.
Diretor da UTC.

• José Ricardo Breghirolli.
Funcionário da OAS.

• Eduardo Leite.
Vice-presidente da Camargo Corrêa.

• Sérgio Cunha Mendes.
Vice-presidente da Mendes Júnior.

• Agenor Franklin Medeiros.
Presidente de Petróleo e Gás da OAS.

• Ricardo Ribeiro Pessoa.
Presidente da UTC.

• João Ricardo Auler.
Presidente do Conselho de Administração da Camargo Corrêa.

• José Aldemário Pinheiro.
Presidente da OAS.

• Gerson Almada.
Vice-presidente da Engevix.

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