Dilma diz que investigações da Lava Jato podem mudar história do país

Por Tercio Braga
Dilma Rousseff não quis adiantar nomes da reforma ministerial e afirmou ser normal todos os ministros colocarem o cargo à disposição antes do início do segundo mandato | Steve Holland/Getty Images Dilma Rousseff não quis adiantar nomes da reforma ministerial e afirmou ser normal todos os ministros colocarem o cargo à disposição antes do início do segundo mandato | Steve Holland/Getty Images

A punição a executivos suspeitos de pagar suborno a ocupantes de cargos públicos “mudará para sempre as relações entre a sociedade brasileira, o Estado e as empresas privadas”, afirmou neste domingo a presidente Dilma Rousseff (PT), após o encerramento da reunião do G20, na Austrália.

Questionada sobre os efeitos políticos da prisão de executivos de grandes empreiteiras e do ex-diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque, na última sexta-feira, a presidente valorizou o trabalho da Polícia Federal na operação Lava Jato.

“O fato de estarmos, de forma absolutamente aberta, investigando, é um diferencial imenso. Nós tivemos o primeiro escândalo da nossa história investigado. Há aí uma diferença substantiva e eu acho que isso pode de fato mudar o país para sempre”, afirmou Dilma antes de embarcar na viagem de volta ao Brasil.

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A mudança que a presidente prevê é o fim do ciclo de impunidade em relações criminosas entre empresários e agentes públicos. “Essa é, para mim, a característica principal dessa investigação. É mostrar que ela não é algo engavetável”.

‘Juízo Final’  

A deflagração da sétima fase da operação Lava Jato, batizada de ‘Juízo Final’ pela PF, sacudiu o país ao dirigir o foco para os suspeitos de serem os corruptores. Entre os presos, estão alguns dos empresários mais ricos e poderosos do Brasil.

O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelo processo, autorizou o bloqueio de R$ 720 milhões em bens e contas bancárias dos suspeitos, limitando-se a, no máximo, R$ 20 milhões de cada.

Bens das empresas investigadas, que possuem contratos com a Petrobras somando R$ 59 bilhões, não foram bloqueados.

A PF também cumpriu 49 mandados de busca e apreensão, a maioria na sede das empresas citadas, incluindo a construtora Odebrecht, que não teve nenhum executivo preso.

Youssef e Costa contribuíram para prisões

Os depoimentos do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, que estão presos e fizeram acordos de delação premiada com a Justiça, foram determinantes para que a investigação chegasse aos suspeitos de terem abastecido um milionário esquema de pagamento de propinas para fraudar licitações na petroleira.

Ao todo, 23 pessoas estão presas na Superintendência da PF em Curitiba (PR), com base da investigação.

Dois suspeitos estavam foragidos até a noite de ontem, o lobista Fernando Soares, conhecido como “Fernando Baiano”, e Adarico Negromonte Filho, irmão do ex-ministro das Cidades Mário Negromonte (PP). Segundo o advogado Mário de Oliveira Filho, que defende Baiano, a estratégia é ingressar com pedido de habeas corpus para tentar derrubar o decreto de prisão expedido pela Justiça. Oliveira Filho destacou que o cliente já estava com depoimento marcado para amanhã em Curitiba e por isso,  não havia a menor necessidade de sua prisão.”

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