Morre o médico e ex-ministro da Saúde Adib Jatene

Por Tercio Braga
Adib dirigiu o Hospital do Coração, foi secretário de Saúde de São Paulo e ministro dos governos Collor e FHC | Zanone Fraissat/Folhapress Adib dirigiu o Hospital do Coração, foi secretário de Saúde de São Paulo e ministro dos governos Collor e FHC | Zanone Fraissat/Folhapress

Morreu na noite dessa sexta-feira, dia 15, o médico e ex-ministro da Saúde Adib Jatene.

Internado desde o dia 22 de setembro no Hospital do Coração, em São Paulo, ele sofreu um infarto agudo no miocárdio e não resistiu.

Jatene tinha 85 anos e era diretor-geral do HCor, referência em cirurgias cardíacas. O corpo será velado no local, a partir das 9 horas deste sábado, dia 15, no edifício que leva seu nome.

O médico deixa quatro filhos – os também médicos Ieda, Marcelo e Fábio, além da arquiteta Iara – e a mulher Aurice Biscegli Jatene.

Trajetória

Nascido em Xapuri, no Acre, Adib Jatene era um dos médicos mais respeitados do país.

Filho de imigrantes árabes, ele veio ainda jovem para São Paulo para estudar na Universidade de São Paulo.

Na época, o ex-ministro começou a cursar Engenharia, mas desistiu da profissão e se formou em Medicina aos 23 anos, optando por se especializar em cardiologia.

Durante os mais de 60 anos de carreira, Adib Jatene participou de 100 mil cirurgias.

Ele foi responsável pela primeira operação de ponte de safena do Brasil e também por uma série de inovações.

Adib dirigiu o Hospital do Coração, foi secretário de Saúde de São Paulo e ministro dos governos Collor e FHC.

Em 2012, ele sobreviveu a um infarto e foi submetido a um cateterismo, quando teve um stent colocado para desobstruir as artérias coronárias.

No mesmo ano, quando foi entrevistado no Canal Livre da Band, o médico afirmou que poderia ter evitado o problema. “Eu já sabia que tinha lesão na coronária e estava programando fazer um cateterismo e um stent, mas como bom brasileiro a gente vai prorrogando. Tem um compromisso aqui, uma viagem ali e eu fui adiando até que fui pego”, afirmou.

Na ocasião, Adib Jatene lembra que foi levado ao Hospital onde trabalhava, em São Paulo: “senti uma dor forte e eu disse: ‘puxa, essa dor é muito esquisita’. Peguei meu motorista e fui para o Hospital do Coração. Chamei a menina que faz eletro nos doentes do ambulatório e disse: ‘faz o meu eletro’. E ela fez, me deu meu eletro e eu disse: ‘estou infartando’. Fui para a minha sala, telefonei para o Eduardo Souza, que é o nosso hemodinamicista e falei: ‘Eduardo, estou precisando de você. Estou infartando"”.

Neste ano, Jatene foi homenageado com o nome do novo prédio do Hospital do Coração e quase foi às lágrimas no discurso de inauguração da obra.

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