Executivo da Petrobras doou R$ 6,7 milhões a partidos políticos

Por Carolina Santos
Executivo afirma que pagava propinas em troca de contratos | Sergio Moraes/Reuters Executivo afirma que pagava propinas em troca de contratos | Sergio Moraes/Reuters

Diretor da Toyo-Setal, Júlio Camargo, afirmou à Justiça que doou R$ 6,7 milhões a 13 partidos entre 2006 e 2014. O executivo é o primeiro das grandes empresas envolvidas no equema de corrupção da Petrobras a fazer acordo de delação premiada – para reduzir a pena. Ele também se comprometeu em devolver R$ 40 milhões aos cofres públicos.

As doações foram feitas pela Toyo-Setal, empresa que tem contratos de mais de R$ 4 bilhões com a estatal, e também por outras empresas das quais ele é sócio (Auguri, Piemonte e Treviso). A informação foi divulgada pela Folha de S. Paulo.

O PT teria recebido a maior quantia da propina: R$ 2,56 milhões, que equivalem a 38% do total. Foram beneficiados os senadores Marta Suplicy (SP), Lindbergh Farias (RJ) e Delcídio do Amaral (MS) e o deputado Adriano Diogo (SP).

O PR seria o segundo na lista das doações: recebeu R$ 2,49 milhões, equivalente a 36,9% do total. A maior parte do dinheiro, R$ 2 milhões, teria sido destinada à campanha de José Arruda, candidato ao governo do Distrito Federal que desistiu de concorrer em setembro, após ser considerado ficha-suja pela Justiça.

O PMDB recebeu 7% dos desvios, R$ 475 mil. E partidos de oposição ao governo também foram citados pelo executivo: PSDB, PV e PPS. Os repasses foram feitos para a campanha de candidatos desses partidos.

Segundo as investigações da operação Lava Jato, as empresas controladas por Júlio Camargo teriam depositado R$ 13,4 milhões à GFD Investimentos – empresa de fachada do doleiro Alberto Youssef, usada para receber os pagamentos de propina.

O doleiro e o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa também fizeram acordo de delação premiada. Além de revelar detalhes do esquema, eles também vão devolver dinheiro aos cofres públicos. Youssef devolverá R$ 55 milhões e Costa R$ 70 milhões.

Em resposta às acusações, a assessoria do PT afirmou que as doeações ao partido são legais e declaradas à Justiça. O PR e a advogada de Júlio Camargo não quiseram se pronunciar.

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